True friendship is watching a friend fulfill a
long time dream you had for yourself for the longest time and not feel an ounce
of jealously in your body. It’s hearing the good news and be overwhelmed with a
sense of joy and pride that lasts for days. It’s being grateful for being part
of that story in any capacity and being sure your life is better because those
people are in your life.
Monday, July 08, 2019
Friday, June 07, 2019
8 stages / 8 estágios
Note: Versão portuguesa abaixo.
The first
thing that hits you is shock,
A punch in your
gut that takes your breath away.
A wave of
thoughts run through your mind
And at the
same time you’re not thinking at all.
Then there’s
a sense of numbness
As you try
to make sense of the news.
You
understand the words,
But you’re
not sure you fully grasp what it means.
This
feeling is quickly replaced by anger.
How come
the world won’t stop spinning now that you’re gone?
Trivial
conversations feel absurd, you know it’s unfair,
But how can
people laugh when everything feels wrong?
Overtime
you discover partly you were anger at yourself.
Guilt takes
over as you relieve every last time…
Last time
you saw each other, last time you spoke…
Last time
you walked away believing you had all the time in the world.
Overwhelmed
with feelings you are not familiar with,
You try
avoidance.
You push
through the pain and don’t talk about it,
You toughen
up and pretend to be able to move on.
Days turn
into weeks, weeks turn into months,
And just
when you think you’re over it
You suddenly
start waking up in sweat, haunted by vivid dreams,
As depression
finally hits you like a truck.
Acceptance
takes much longer than you expected,
And is not
at all as you predicted.
There’s no long-lasting
relief,
It comes in
waves, pain subsides, but is never gone.
Eventually
you find a way to truly go on with your life,
Trying to
balance the tides of nostalgia
With the
utter joy of knowing the memories you have
Neither
time nor death can take away from you.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
8 estágios
A primeira coisa que te atinge é o choque,
Um murro no estômago que te deixa sem ar,
Uma onda de pensamentos inunda a tua mente,
E ao mesmo tempo não consegues pensar em nada.
Depois vem a sensação de dormência,
Enquanto tentar processar as notícias.
Percebes as palavras que vêm ao teu encontro,
Mas não tens a certeza se entendes tudo o que significam.
Rapidamente esse sentimento é substituído por raiva.
Como é que o mundo pode continuar a girar quando não estás
aqui?
Conversas triviais deixam de fazer sentido, sabes que não é
justo,
Mas como é que as pessoas podem sorrir quando tudo parece
errado?
Com o tempo percebes que parte dessa raiva é contra ti
mesmo,
O sentimento de culpa inunda-te à medida que revives cada
última vez...
A última vez que se viram, a última vez que falaram...
A última vez que saíste sem olhar para trás, julgando ter
todo o tempo do mundo.
Esmagado por todos esses sentimentos que não costumas ter,
Tentas a evasão.
Recalcas a dor e não falas sobre o assunto,
Finges-te inabalável e capaz de seguir com a tua vida.
Dias transformam-se em semanas, semanas transformam-se em
meses,
E quando pensas que o pior já passou,
Começas a acordar em suores frios, assombrado por sonhos
vívidos,
E és finalmente atropelado pela depressão.
A aceitação demora muito mais a chegar do que aquilo que esperavas
E não se parece nada
com o que antecipaste.
Não há um alívio constante ou duradouro,
Vem em marés, a dor diminui, mas nunca desaparece.
Com o tempo acabas por encontrar maneira de realmente seguir
em frente,
Tentando equilibrar as ondas de nostalgia
Com a alegria imensa de saber que as memórias que tens
Nem o tempo nem a morte te podem roubar.
Friday, May 24, 2019
Sadness/Tristeza
Nota: Versão portuguesa mais
abaixo.
Today I went to high school to run a session
with a 9th grade class. The activity is part of a program we’ve designed
and called “I am”. “I am” was created in an attempt to respond to a need felt
by the teachers in regards to some classes/teens behaviour in school, at it consists
in our team meeting this classes once a week and run non formal workshops to
explore soft skills, increase motivation and self and social awareness.
The exercise for today was quite simple. Each
student received a blank piece of paper in which they were challenged to write
one thing that they didn’t think the other people in the room would know about them.
The fact had to be true and they were informed that it should be something they’d
feel comfortable in sharing, because even though the papers weren’t signed, the
next step was to shuffle all the papers together and then read them out loud
one by one and try to guess who it belong to.
After an initial natural blockage and some
suggestions, everyone managed to write down a personal fact.
As we started sharing them it was easy to see
how some people had made a conscious choice to keep things fairly light while
others seemed confortable sharing something more unique or unpredictable about
themselves… interestedly enough it was the quietest boy in the room who
surprised everyone. His fact was “Sadness, feel it without expressing it”. He
was shy and he could barely look me (or the others) in the eye, but his paper
was the one that took the exercise to another level. Out of 30 papers, his fact
was the one the rest of the class remembered when we got to the end, and it was
his sentence that changed the mood of the conversation and got the other students
to actually share something deep and personal and talk about emotions.
As the rest of the group passionately weighted
in on the sadness and its relevance and the pros and cons of expressing it, the
boy remained quiet, but he didn’t had to say anything else, because the bravery
he showed by sharing his truth had already made a great impact on his
colleagues. His honesty, despite his discomfort, created a learning opportunity
for the class, and the respect the others showed for his confession for sure
had a positive impact on him too.
This is the magic of non-formal education.
Before we started working with this class, we
were told that the situation was so bad that teachers were self-medicating
before entering the classroom, and there’s a big chance they still feel the
chance to do that… because we don’t have magic wands and we don’t have all the
answers, but watching the interactions that happened in this classroom today
tells me that we are definitely on the right path. We need to think out of the
box, we need to listen to their needs, we need to get them emotionally involved…
then they’ll learn.
“Tristeza, senti-la sem a
expressar”
Hoje visitei uma escola para
dinamizar uma sessão com uma turma de 9º ano.
A actividade faz parte de um
programa que desenhámos e a que chamámos “I am”. O “I am” foi desenvolvido no
sentido de dar resposta a uma necessidade sentida pelos professores
relativamente ao mau comportamento demonstrado por algumas turmas/alunos, e
consiste em dinamizarmos workshops semanais onde os alunos possam explorar as
suas soft skills, aumentar a sua motivação e desenvolver uma maior consciência
pessoal e social.
O exercício de hoje era bastante
simples. Cada aluno recebeu um pedaço de papel em branco no qual deviam
escrever um facto pessoal que os outros não soubessem sobre eles. Esse facto
tinha de ser verdade e algo que os jovens se sentissem confortáveis em partilhar,
pois embora os papeis fossem anónimos, o próximo passo era baralhar os papéis,
lê-los em voz alta e tentar adivinhar a quem pertenciam.
Após um pequeno bloqueio inicial
e algumas sugestões, todos os alunos conseguiram completar esta tarefa.
À medida que um a um os papeis
foram lidos, foi fácil perceber que alguns alunos tinham feito uma escolha
consciente de manter um ambiente mais leve, enquanto outros pareciam mais confortáveis
a partilhar algo mais único ou imprevisível sobre si mesmo... curiosamente foi
o jovem mais calado da turma que surpreendeu toda a gente. No seu papel podia
ler-se “Tristeza, senti-la sem a expressar”. Um rapaz tímido e calado que mal
nos conseguia olhar nos olhos, e ainda assim foi o seu papel que elevou o
exercício ao nível seguinte. De entre os 30 papéis, a sua afirmação foi que mais
colegas se recordavam no final da sessão, e foi sem dúvida aquela que
(re)definiu o tom da sessão e levou os outros a partilharem algo mais intimo e
a falar sobre emoções.
À medida que a turma discutia
apaixonadamente os pros e contras de
sentir tristeza E expressá-la, o rapaz manteve-se em silêncio, mas a verdade é
que não precisava de dizer mais nada, pois a coragem que demonstrou ao
partilhar a sua verdade foi o que mais impacto criou nos seus colegas. A sua
honestidade, apesar do desconforto causado, criou uma oportunidade de
aprendizagem brilhante para o resto da turma, e o respeito que os colegas
demonstraram pela sua confissão por certo tiveram um impacto positivo nos
jovens.
Esta é a magia da educação não
formal.
Antes de começarmos a trabalhar
com esta turma a informação que recebemos é que a situação era tão má que
alguns professores se auto medicavam antes de entrar para a sala de aula, e há
uma grande probabilidade que ainda o façam, porque não temos uma varinha mágica
e não temos todas as respostas.... contudo, observar as interações que
aconteceram nesta sala de aula hoje diz-me que estamos definitivamente no
caminho certo. Precisamos de pensar fora da caixa, precisamos de ouvir as suas
necessidades, precisamos de os envolver emocionalmente... assim aprenderão.
Sunday, April 07, 2019
Is family everything? / A família é tudo?
Nota: Versão portuguesa mais abaixo
It is not uncommon for people to have a degree
of fascination for my family. We’re a numerous bunch of weird humans, with very
unusual dynamics, whose sense of normalcy tends to differ quite a lot from the
general population.
Growing up, I thought having 60+ people over
for Christmas was normal, that everyone did Christmas plays to entertain the
family, that it was common to go on summer holidays with 30 other people or
organize family-exclusive summer camps… It was overtime that slowly I realised
that not every grandma had an industrial fridge in her kitchen, and not every
kid had 12 uncles and aunts and over 25 cousins… You see, I grew up surrounded
by people. Where I come from, whether you wanted it or not, you were never
alone.
Now that I’m more aware of how different we are
from a “normal” family, I do understand the curiosity of the outsiders. It has
happened in different occasions that we are sharing family stories and I get
the impression that people create this ideally image of our family. It’s more
than an impression, actually, people have said it, they praise our unity and
harmony. And it got me thinking if to some degree I was being hypocritical,
because if there’s a family who is as dysfunctional and messed up as any other,
it is ours. So why doesn’t that come across to people? Is it something that we
hide?
When I look at it, there’s actually a lot that
isn’t perfect about us…
We are loud and quite often insane.
We are critical and harsh.
We’re unhealthily strong. In our own ways we
tend to carry the weight of the world in our shoulders.
We are demanding, and very rough around the
edges, and whenever we’re around things tend to get messy.
We’re not all warm and fuzzy, and unlike people
may think, we don’t often let out spontaneous proclamations of love for each other.
It’s not always easy to find your place in such
a crowed environment, even less to make your voice be heard.
We don’t all get along to the same level.
Actually, some don’t get along at all.
You mention any kind of family dispute and we
have it. You don’t get to gather this many people together without getting all
the craziness too.
So, why
is it that none of this seems to transfer to those who ask us about our family?
I think there are two main reasons for it.
One is that although we are not all close, when
I think of family, when I speak of family, what comes to my mind are the ones
that are close to me. Family to me, has very little to do with blood. Family to
me are the people who go through life with you and so when I share stories
about my family, these are the people I naturally tend to focus on. It is not a
deliberate thought to hide something, it’s honestly instinctively focus on
those who matter.
The second reason is that, despite all the “non-perfect”
issues mentioned above, there is something much stronger biding us together, a
sense of belonging to this unique clan with its own set of rules and values,
that no-one from the outside can truly comprehend.
We cherish our time together. We don’t just
settle for the big occasions, we make a conscious effort to create
opportunities to gather.
We are loyal and we tackle our problems
together. As annoying as it can be at times to have a bunch of people weighing
in in a personal issue, it is also comforting to know that that many people
care.
We have
a lot of opinions, and most of us are not afraid to share them, but if you
screw up there will always be a hand to pull you up, because chances are,
someone else has messed up even badly before.
There may be a lot of uniqueness about our
family, but there’s actually very little perfection, which is very likely why
it works… because we are a group of very different, imperfect people, who chose to stay together and who
in reality follow only one common rule, no-one is left behind!
I don’t often know where I fit in this family,
but I never doubt that I belong here. And if there’s one thing than I know for
sure is that whether I’m on the side that has a problem, or the side that is
trying to resolve it, if I’ll pick up the phone, there will be someone on the
other side.
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A família é tudo?
É comum as pessoas terem um certo
grau de fascinação pela nossa família. Somos um grupo enorme de estranhos seres
humanos, com uma dinâmica muito própria, cujo sentido de normalidade tende a
ser muito diferente do resto da população.
Quando era miúda pensava que era normal
ter mais de 60 pessoas à mesa para o jantar de natal, pensava que em todas as
casas se faziam peças de teatro para entreter a família, que era comum ir de
férias com mais 30 pessoas, ou organizar campos de férias exclusivos para a
família... Só com o tempo percebi que nem todas as avós tinham um frigorífico
industrial na cozinha, que a maioria das crianças não tinha 12 tios e mais de
25 primos direitos... Eu cresci rodeada de gente. De onde venho, quer o
desejasses ou não, nunca estavas sozinho.
Agora que tenho mais noção de
como somos diferentes de uma família “normal”, percebo um pouco melhor a curiosidade
de quem está de fora. Acontece em várias ocasiões partilhar histórias de
família, e muitas vezes fico com a impressão que as pessoas criam uma imagem
idealizada da nossa família. Na verdade é mais do que uma impressão, muitas
vezes as pessoas elogiam a nossa união e harmonia. E isso fez-me pensar até que
ponto estava a ser hipócrita, porque se há família mais disfuncional que todas
as outras, é certamente a nossa. Então porque é que isso não parece passar para
os outros?
Quando penso objectivamente, na
verdade há muita coisa que não é perfeita na nossa família...
Somos barulhentos, e para
utilizar um eufemismo, insanos.
Somos muito críticos e bruscos.
Somos nocivamente fortes. Cada um
há sua maneira, temos tendência a querer carregar o peso do mundo nos nossos
ombros.
Somos exigentes, e duros, e quando
estamos por perto tudo tem tendência para se tornar caótico.
Não somos muito carinhosos, e ao
contrário do que as pessoas possam pensar, não proclamamos facilmente o amor
que sentimos uns pelos outros.
Não é fácil encontramos o nosso espaço
num ambiente tão lotado, e ainda é mais difícil fazer com que a nossa voz seja
ouvida.
Não nos damos todos bem. Na
verdade, alguns de nós não se dão de todo.
Qualquer nível de disputa
familiar que possam pensar, nós temos. Afinal de contas, não seria possível
juntar um número tão grande de pessoas sem arrastar muita loucura também.
Então, porque é que nada disto
parece ser absorvido por aqueles que nos perguntam sobre a nossa família?
Na verdade acho que há duas
razões principais.
A primeira é que apesar de não
sermos todos próximos, quando penso em família, quando falo de família, o que
me vêm à ideia são as pessoas que estão perto de mim. A família para mim tem
muito pouco a ver com consanguinidade. A família para mim são as as pessoas que
enfrentam a vida ao meu lado, e por isso, quando partilho histórias sobre a
minha família, são essas as pessoas de quem naturalmente me lembro. Não há
nenhuma intenção deliberada de esconder o outro lado, há apenas um instinto
natural de me focar em quem importa.
A segunda razão é que, apesar de
todas as “imperfeições” mencionadas anteriormente, há algo muito mais forte que
nos une, um sentimento de pertença a um clã único, com o seu próprio conjunto
de regras e valores, que ninguém que não faça parte dele poderá verdadeiramente
compreender.
Estimamos o tempo que passamos
juntos, mas não nos deixamos limitar por ocasiões especiais. Fazemos um esforço
consciente para criar oportunidades para nos juntarmos e tiramos o maior
partido delas.
Somos leais e enfrentamos os
grandes problemas em conjunto. E por muito irritante que possa ser por vezes
ter um monte de gente a dar palpites sobre um assunto pessoal, também é
reconfortante saber que tanta gente se preocupa.
Temos muitas opiniões, e muitos
de nós não temos problemas em partilhá-las, mas se fizeres asneira vai sempre
haver uma mão que te ajude a levantar, porque o mais provável é que já alguém
antes tenha feito uma asneira maior.
A nossa família pode ter um lado
único, mas na verdade tem muito pouco de perfeito... o que provavelmente é
exactamente o que faz com que funcione tão bem... porque somos um grupo de
pessoas muito diferentes e imperfeitas que decidiram
manter-se juntas e que na verdade só têm uma regra em comum, não deixar ninguém
para trás!
Nem sempre sei qual é o meu papel
nesta família, mas nunca duvido que a ela pertenço. E se há certeza que tenho é
que quer esteja no lado de quem tem um problema ou quem está a tentar
resolvê-lo, se pegar no telefone vai sempre haver alguém do outro lado.
Thursday, March 28, 2019
Know your impact/Conhece o teu impacto
Nota: Versão portuguesa abaixo
When i was little I used to wonder how the
world would be if i had never been born.
It happened in different occasions, but I have
this clear vision of third grade me, sitting at the cafeteria, surrounded by
friends and teachers that I loved, and just wonder if anything would be any
different if I wasn’t there.
I’d shut my eyes hard, until all I could see
was pitch dark, in hopes the image would get clear. Much like toddlers, who
cover their eyes and believe no-one can see them, I thought maybe if I’d close
mine they wouldn’t see me.
I didn’t feel out of place, I wasn’t sad or
depressed, nothing really brought it up, I was just curious… I was simply a
kid, I hadn’t accomplished anything major, I hadn’t made a difference in the
world, I didn’t even know that many people, so how much difference could it
really make?
The answer for this question, I’d learn later,
is something I will never know.
I might find out how much losing someone can
change every little thing in one’s life, and I have. But that’s not the same as
knowing how never meeting someone can change the route of things.
As I said, I don’t really know what made me
have these thoughts, I guess I just always needed a purpose, I thought I needed
a reason to be here… alive. Merely living always seemed too simple, I was sure
there had to be something else, a bigger picture, some kind of mission.
Growing up was hard, feeling the years pass by
and not feeling any closer to finding out what my mission was, was daunting. For
a long time I was so worried I was wasting precious time that I ended up not
fully enjoying what I had in hands.
I’ve learned to slow down slightly. I’ve
realised, over the years, that while I worried I was wasting time, I was actually
having one of a kind experiences and growing myself up. And I may not be any
closer to finding out WHY I am here, but I dare to say I’m a little bit closer
to WHO I am.
What if I don’t need to look for a reason
anymore? What if, whatever my purpose is, I have being working it without even
knowing?
“Know your impact”
I was reading today about all the plans and ideas
we all have and how often, despite our best intentions and motivation, we get
stuck on “Where do I start?”. According to the author the answer was as simple
as “Know your impact” - find out the magnitude your actions, your existence,
has on the people around you, and take it from there. And it got me thinking
that maybe it’s not about finding a purpose and shaping our lives to it, maybe
it’s about looking into our lives and see what being ourselves is already
accomplishing.
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Conhece o teu impacto
Em pequena tinha por hábito
tentar imaginar como seria o mundo se eu nunca tivesse nascido.
Era algo que fazia com alguma
regularidade, mas lembro-me em particular de
um dia, na terceira classe, estar no refeitório, rodeada de amigos e
professores que adorava, e de tentar imaginar se alguma coisa seria diferente
se eu não existisse.
Fechava os meus olhos com muita
força, até não ver nada mas um denso manto preto, na esperança de conseguir
imaginar com mais clareza. Tal como um bebé que tapa os olhos e acredita que
ninguém o vê, pensava que talvez se
fechasse os meus também eu desaparecesse.
Não me sentia deslocada, não
estava triste nem deprimida, não tinha acontecido nada de particular, tinha
apenas curiosidade... era só uma criança, ainda não tinha feito nada de especial,
ainda não tinha contribuído com nada para o mundo, nem sequer conhecia assim
tantas pessoas, por isso também não podia fazer assim uma diferença tão grande,
certo?
A resposta a essa pergunta,
descobriria mais tarde, nunca iria encontrar.
Poderia até vir a descobrir como
perder uma pessoa pode mudar significativamente a nossa vida, o que se veio a verificar.
Mas isso é diferente de sabermos como é que o facto de nunca conhecermos uma
pessoa pode alterar o nosso caminho.
Não sei de onde vinham estes
pensamentos, acho que simplesmente sempre precisei de um propósito, pensava que
precisava de uma razão para estar aqui... viva. Meramente viver sempre me parecera
demasiado simples, estava certa que tinha de haver algo mais, uma espécie de
missão.
Crescer foi difícil, sentir os
anos a passar e não me sentir mais perto de descobrir qual era a minha missão
era aterrador. Durante muito tempo preocupei-me tanto em desperdiçar tempo que
acabei por não aproveitar o que tinha em mãos.
Eventualmente acabei por aprender
a abrandar um pouco. Aprendi, com os anos, que durante o tempo que achava que
desperdiçava, estava na verdade a viver experiências únicas e a crescer. E talvez
não esteja hoje mais próximo de descobrir PORQUE é que estou aqui, mas
atrevo-me a dizer que estou mais próxima de QUEM sou.
Acho que nunca vou deixar de
precisar de uma razão que justifique a minha existência, mas percebo agora que
talvez tenha de olhar para trás com uma perspectiva renovada.
E e não precisar de procurar uma
razão? E se, qualquer que seja o meu propósito, eu já o esteja a realizar sem
me dar conta?
“Conhece o teu impacto”
Hoje, estava a ler sobre todas as
ideias e planos que temos e que frequentemente, apesar das nossas intenções e
motivações, deixamos cair por terra porque ficamos presos no “Onde é que
começo?”. De acordo com o autor,
resposta é tão simples como “Conhece o teu impacto” – descobre a
magnitude que as tuas ações, a tua existência, tem nas pessoas à tua volta, e
começa ai.
Isso fez-me pensar que se calhar
não se trata de encontrarmos um propósito e moldar as nossas vidas a ele, se
calhar trata-se de olharmos para as nossas vidas e percebermos o que é que
sermos nós mesmos já atingiu.
Sunday, March 10, 2019
Women/Mulheres
Nota: Versão portuguesa mais abaixo.
A few years ago, my friend, who had recently
moved in into a new area, was telling me about this neighbour she had watched
and instinctively guessed was part of my family. After asking a few questions
we came to the conclusion that she was right, that the woman she was talking about
was indeed one of my aunts. When I asked how she had guessed it, she said there
was something about the way she was handling 3 small kids on her own, completely
relaxed, but in control, that she just knew.
That’s the story of my life – I come from a BIG
family of strong, independent women, a lot of which are/were mainly (if not exclusively)
in charge of not only the kids, but also all family and even financially
matters. It all started in my childhood, and don’t get me wrong, men were
always present – brothers, uncles, dad – but it was always very clear to me, as
a kid, who was in charge. There was one person we’d ask permission for if we wanted
to do something (and one person we “feared” when we got in trouble)… and that
was mom!
It wasn’t just at home, from the matriarch grandmother
who birthed and raised 13 children, to the single aunts who carried the family
and the sisters who support eachother through the ups and downs of life, the
message has always been clear – it isn’t always easy, but we look after
eachother, we face things together and we don’t leave anyone behind.
Family had, therefore, its major role in shaping
my conceptions about women in the early years, but the reality of it is that, due
to sheer of luck or because my previous experiences led me to higher standards,
it didn’t end there.
Looking back, my whole life I’ve been blessed
to be surrounded by strong women. There’s the wiser older one who always speaks
her mind, the one who unapologetically
lives in her own world at her own pace, the one I met as a crazy, irresponsible
(but tremendously talented and confident) young girl who has grown so much, the
bubbly one who battles depression, the one who asked for a leave of absence and
crossed the ocean to build homes for people in need, the one who was forced to emigrate
at a young age and soon became a top student in a foreigner language school, the
ones who venture to exotic destinations with female partners only (or even
alone), the ones who organize these kind of trips for women who may not feel
confident enough to do it alone, and so many others I could talk about. All
around, I have friends from around the world who fight for their dreams, who
break barriers and stereotypes and support other women along the way. Teachers,
athletes, engineers, future doctors and surgeons, entrepreneurs, stay at home
moms, married or single, straight or gay, black or white, rich or poor… real
people, who are not perfect, who cry and fall and make mistakes, but do not
give up. It just shows strong women can be find everywhere.
I often hear that women are nasty for eachother
and I strongly disagree. I don’t doubt that has been your experience, but maybe
it’s not about the gender, but the kind of people you surround yourself with. I
played basketball in a female team for over 15 years, I went to college in an
all girl’s class and I work in female-dominated field, and sure I have
encountered my fair share of unpleasant women (just like I have met my fair
share of unpleasant men), however, the majority of them, and the ones I choose
to remember, are women who raise people higher, who genuinely celebrate other
women’s success, who watch out for eachother, who support and inspire the ones
around them, who are fierce yet sensible, who care about others and find simple
ways to make a hard day just a tiny bit easier.
These are the kind of women I have in my life
and this is the kind of woman I strive to be.
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Há uns anos, uma amiga que tinha
mudado de casa recentemente estava a contar-me sobre uma vizinha que ela tinha
visto, e que na sua opinião só podia ser da minha família. Após algumas
perguntas, chegámos à conclusão que a mulher em questão era de facto uma das
minhas tias. Quando lhe perguntei como tinha adivinhado, a minha amiga disse
que havia algo na forma despachada e em controlo como a mulher estava a gerir
uma situação sozinha, com três filhos pequenos, que a levou a instintivamente
chegar a essa conclusão.
Essa é a história da minha vida –
sou descendente de uma GRANDE família de mulheres fortes e independentes,
muitas das quais foram/são maioritariamente (se não exclusivamente)
responsáveis não só pelas crianças, mas também por todas as questões familiares
e por vezes até financeiras. Tudo começou na minha infância, e não me interpretem
mal, os homens estiveram sempre presentes – pai, irmãos, tios – mas foi sempre
claro para mim, enquanto miúda, quem é que estava no comando. Havia uma pessoa
a quem pedíamos autorização para fazer fosse o que fosse (e uma pessoa que “temíamos”
quando nos metíamos em sarilhos)... a mãe!
Isto não acontecia só em casa,
desde a avó matriarca que deu à luz e criou 13 filhos, às tias solteiras que
carregavam a família, passando claro pelas irmãs que se apoiam pelos altos e
baixos da vida, a mensagem sempre foi bem clara – as coisas nem sempre são
fáceis, mas tomamos conta umas das outras, enfrentamos as coisas juntas e não
deixamos ninguém para trás.
A família teve por isso um papel
fundamental na forma como criei as minhas concepções sobre as mulheres nos meus
primeiros anos de vida, mas por pura sorte, ou porque as experiências do
passado me levaram a ter padrões mais elevados, não terminou aí.
Olhando para trás, toda a minha
vida estive rodeada de grandes mulheres. Há a mais velha e sábia que nunca
deixa nada por dizer, aquela que sem desculpas vive no seu mundo à parte e ao
seu próprio ritmo, aquela que conheci como maluca e irresponsável (mas
incrivelmente talentosa e confiante) que cresceu imenso, a bem disposta que
luta contra a depressão, aquela que pediu licença sem vencimento para cruzar o
oceano e construir casas para famílias necessitadas, a que foi obrigada a
emigrar ainda criança e que rapidamente se tornou uma aluna de topo numa escola
estrangeira, aquelas que se aventuram em destinos exóticos com outras amigas
(ou até sozinhas), as que organizam excursões a estes tipos de destinos para
mulheres que não se sentem confiantes em fazê-lo sozinhas e tantas mais que
haveria para falar. Mulheres dos quatro cantos do mundo que lutam pelos seus
sonhos, quebram barreiras e estereótipos e que apoiam outras mulheres pelo
caminho. Professoras, atletas, engenheiras, futuras médicas e cirurgiãs,
empreendedoras, mães a tempo inteiro, casadas ou solteiras, gays ou heterossexuais,
brancas ou pretas, ricas ou pobres... pessoas reais, que não são perfeitas, que
choram e caem e cometem erros, mas que não desistem. O que mostra que grandes
mulheres podem ser encontradas em qualquer lugar.
Já ouvi várias vezes dizer que as
mulheres são más umas para as outros, e discordo fortemente dessa ideia. Não
duvido que essa seja a experiência de algumas pessoas, mas acho que tem pouco a
ver com o género e mais a ver com o tipo de pessoas com quem nos escolhemos
relacionar. Fiz parte de uma equipa de basket feminina durante mais de 15 anos,
na faculdade a minha turma era constituída apenas por mulheres e trabalho numa
área dominada pelo sexo feminino, e claro que já me cruzei com mulheres
desagradáveis (tal como já me deparei com homens desagradáveis), mas a maioria,
e aquelas que escolho lembrar são mulheres que elevam as pessoas à sua volta,
que genuinamente celebram o sucesso de outras mulheres, que cuidam umas das
outras, que apoiam e inspiram quem as rodeia, que são destemidas mas sensíveis,
que se preocupam com os outros e que procuram pequenos gestos para tornar um
dia difícil um bocadinho mais fácil.
Este é o tipo de mulheres que
tenho na minha vida, e este é o tipo de mulher que ambiciono ser.
Thursday, November 15, 2018
Finding yourself / Procura interior
Note: Portuguese below.
How many of us, at some point in life, have
felt the need to find themselves? For some it happens in teenage years, or
after college, for some much later, maybe masked as a mid-life crisis, but
sooner or later, chances are we will go through it.
Perhaps we don’t. Perhaps it was never really
lost to begin with, perhaps it is just disguised under cultural conditioning, society’s
opinion and inaccurate self-judgment we’ve developed over the years.
Who were you has a child? What did you believe
in, what made you tick prior to being led to be who the world thought you
should be?
Losing yourself usually happens when, consciously
or unconsciously, you let the world change you in ways that force you to do or
be what you should do/be, instead of doing what you truly want and being who
you really are.
We are not the same people we were when we were
children, we’ve lost innocence, we’ve changed, we’ve grown… but is our core
really that much different? Our hopes and dreams may have developed, but how
distant are they from where they originally started?
What if we have it wrong from the start? What
if we don’t need to find ourselves? What if what we do need is to follow the
path that will help us create ourselves, starting from the naïve children we
were and taking in consideration each and every defining experience we have
had?
There’s this mystic notion of finding
ourselves, like a magical quest that will end up in a perfect place where all
the answers are found and we are immerse in an unbroken sense of tranquility,
but what if the goal is not the destination, but the journey?
We see this process of soul-searching as a need
to redefine ourselves, but what if the ultimate goal is not to become anything
different, but to go back to our roots and embrace who we were meant to be in
the first place? New beginnings and fresh scenarios will be helpless if you don’t
allow yourself to look inside, accept who you are and what you want to become.
:::::::::::::::::::::::::::::
Quantos de nós, em algum momento
das nossas vidas, sentimos a necessidade de procurar o nosso verdadeiro “eu”? A
alguns acontece na adolescência, ou a seguir à faculdade, para outros bastante
mais tarde, às vezes até disfarçada de uma crise de meia-idade. Seja em que
altura for, o mais provável é passarmos por isso.
A questão é, o que é que isso
significa? Como é que perdemos o nosso “eu”? Não é um objecto que possamos
deixar para trás, esquecido num canto qualquer, então como é que o perdemos? E
mais importante ainda, como é que o encontramos?
Se calhar não encontramos. Se
calhar na verdade nunca o perdemos, se calhar o nosso “eu” está só escondido
por baixo de camadas de condicionantes culturais, opiniões da sociedade e
julgamentos negativos que fomos desenvolvendo sobre nós mesmos ao longo dos
anos.
Quem eras enquanto criança? No
que é que acreditavas? O que é que fazia o teu coração bater mais forte antes
de te sentires forçado a ser aquilo que o mundo esperava que fosses?
Este processo de perda do nosso “eu”
normalmente acontece quando, consciente ou inconscientemente, deixamos o mundo
influenciar-nos de tal forma que passamos a fazer e a ser o que é suposto, em
vez daquilo que verdadeiramente queremos e/ou somos.
Não somos as mesmas pessoas que
éramos enquanto crianças, perdemos inocência, mudámos, crescemos… mas será o
nosso core assim tão diferente? As
nossas esperanças e sonhos podem ter-se desenvolvido, mas estarão assim tão
distantes dos originais?
E se estivermos a ver isto tudo
de forma errada desde o início? E se não precisarmos de nos encontrar? E se
tudo o que precisamos é seguir o caminho que nos ajude a criar o nosso “eu”,
partindo da criança inocente que fomos e tendo em consideração todas as
experiências significativas que tivemos ao longo da vida?
Há uma mística enorme à volta
desta ideia de procura interior, como se tratasse de uma caça ao tesouro mágica
que termina num lugar perfeito onde encontramos todas as respostas e estamos
imersos num inabalável sentimento de tranquilidade, mas e se o objectivo não
for o destino final, mas sim o caminho?
Vemos este processo de procura
interior como uma necessidade de nos redefinirmos, mas se calhar o que
precisamos não é de nos tornarmos em algo diferente, mas sim voltarmos às
origens, e abraçarmos aquilo que sempre soubemos ser. Recomeços e mudanças de
cenário são inúteis se não estivermos dispostos a olhar para dentro de nós, e
aceitar quem somos e o que queremos ser.
Friday, October 19, 2018
Vitamin H / Vitamina A
Nota: Versão portuguesa abaixo.
"We need 4 hugs a day for survival, 8 for maintenance and 12 for growth”
Virginia Satir
Once, when I was 14/15 years old, I was waiting to be picked up after basketball practice when a friend approached me and complained about how she missed our old coach. She proceeded to hug me and a few seconds later I heard the horn indicating my parents had arrived. As soon as I entered the car they asked me what was wrong and I said nothing, because nothing really was, but they kept insisting, something must had been wrong otherwise why would we be hugging? My dad started to get aggravated, because we really wanted to know what was wrong, and eventually my mom told him to let go, because whatever was wrong, pressuring me wouldn’t help. I know they were coming from a good place, that they just wanted to know what was going on so they could fix it, but that moment stuck with me, because I couldn’t understand why it was so hard to believe that two people were simply hugging for “no reason”.
More recently, I was saying goodbye to a friend after work and we hugged, like we often do, when she left, a girl who was waiting for me asked if my friend was going to on a trip, confused I said no, to which she replied “but you hugged… that’s weird!”. A few years back I might have agreed with her, but at that moment I felt sad for her because if she thought hugging a friend was weird, it meant she had no idea how good it felt.
I’m not a very touchy person, I don’t love being surrounded by people and human touch doesn’t necessarily comes natural to me, maybe because overtime I also developed that idea that I needed a reason, an excuse, to hug someone. However, over the years I was lucky enough to cross paths with people that thought differently, people who hugged me just because, and that made me change my mind.
How many of us, in the face of distress, wish we could go back to when we were children and someone could just hug us and we’d believe everything would be fine? We will never be that innocent again, but even as grown adults hugs can give us the comfort often times we don’t even know we need.
Emotional proximity is vital for our development as human beings, we need to feel emotionally involved to learn and grow, and hugs are one simple way to nurture this proximity and build a connection with others. Nothing can bring you closer to someone than a proper hug, a hug where you feel the energy flow between the two bodies. There’s no lying when it comes to hugs, you can tell when it’s not meant, so there’s a huge degree of honesty that assures you that you are loved, respected and that you belong.
I could talk all day about the science behind it, but that’s not why we’re here today. We don’t need to study the effects hugs can have on us, we need to feel it.
As children, seeking comfort is something we do naturally, we are smart that way when we are kids, but as time goes by most of us forget how to do it, and it takes time and even effort to reeducate ourselves in this matter. I’m not a natural hugger. For a long time I convinced myself that this touchy-feely stuff was not for me, and to be fair, with a lot of people hugging still doesn’t come automatically to me, I still get quite stiff in a lot of interactions, so why did I start hugging?
Unconsciously I think it all started with kids. My awkwardness towards people doesn’t extend to the little ones, when it comes to kids hugging and comforting are instinctive to me, and what I realized was that whenever I was holding them I’d take as much comfort from the embrace as they did. That was my first lesson - the power of hugs - there’re mutual benefits, there’s equal value in receiving and providing a warm embrace.
I’m the kind of person who absorbs other people’s pain, maybe I don’t have enough drama in my life, or I don’t want to deal with it, so I tend to feel other people’s pain as my own, I also tend to want to fix things. When you have this level of empathy, and to a degree get affect by people’s pain you realize that you end up needing that hug as much as the wounded person. You see someone suffering and you wrap your arms around them for a supportive embrace, to comfort them, and become aware you don’t want to let go, because you also need the comfort. In a selfish way it eases your pain, it convinces you that even if temporary, you might have contributed to that person’s sense of safety.
My brain is constantly flooded with words, so much so, that when important times come I often can’t choose what to say. I’m rational, I like explanations, I need words to make sense of life, but truth of the matter is, a lot of times there’s really nothing you can say that can change the situation, nothing that can take the pain away. Hugs can help. Suddenly you feel the body you are holding relaxing against yours, you feel your heartbeats steadying and for a second you forget everything else. For a second you forget your problems, for a second you let go of control, you stop trying to fix other people’s pain and just take pleasure in the moment. Hugs help you express your emotions, they let the other person know what words can’t say. There’s so much that can be put in a hug that words can’t express.
About a year and a half ago, a friend introduced me to the concept of “vitamins”. By vitamins she meant all the positive actions/gestures that involved other people and had the power to energize us. Vitamin H (=hugs) was very high on the list. It started as a joke, but the more I thought about it, the more sense it made. I started paying attention, and I came to the conclusion that on tougher days at work I’d found myself waiting for the time kids would come from school, because the first thing they’d do was come to me for some cuddles, and I realized it was their hugs that helped me get through the day.
Hugs force us to take a break from the rush of everyday life and our thinking patterns, and connect with another soul, which is why we don’t need anything to be wrong in order to hug someone. The first time I moved abroad on my own I was barely 22 years old. It was a great experience, I’ve never even felt homesick. I was fine. I was traveling, I had met great people, I was proud of myself for the risk I was taking, I was having the time of my life, and yet, whenever I visited Auntie Annee’s home and she would squeeze me in a bear hug I felt my body melt. To this day that’s one the fondest memories I keep from that year.
Yesterday we were running a workshop about “Vitamins” with a class at high school, the whole idea was for teens to reflect on the effect different actions/words can have on people and how they could help improve their school’s environment. When we were about to finish we asked them why they thought we had named the workshop “Vitamins”, a few kids were confused because the workshop was not related to food, but one girl coyly said it made sense because those positive actions/gestures (=vitamins) were food for the soul. And that’s what hugs are, they are vitamins for the soul, they feed our hearts and fuel our lives.
“Precisamos de 4 abraços por dia para sobreviver, 8 para nos manter e 12 para crescer”
Vírgina Satir
Uma vez, quando tinha 14/15 anos, estava à espera de boleia a seguir ao treino quando uma amiga se aproximou e se queixou das saudades que tinha do nosso ex-treinador. Quando terminou deu-me um abraço e nesse preciso momento ouvi a buzina do carro que indicava que os meus pais tinham chegado. Assim que entrei no carro perguntaram-me o que é que tinha acontecido, o que é que estava errado, eu respondi nada, porque a verdade é que estava tudo bem, mas continuaram a insistir, alguma coisa de errado devia ter acontecido, senão porque nos estaríamos a abraçar? O meu pai começou a ficar irritado pois queria realmente saber o que se tinha passado, até que a minha mãe lhe disse, que se realmente alguma coisa não estava bem pressionar-me não ia ajudar. Naturalmente a intenção era boa, estavam preocupados, mas esse momento ficou-me marcado na memória pois não conseguia perceber porque é que era tão difícil acreditar que duas pessoas amigas se estavam simplesmente a abraçar, sem particular motivo.
Mais recentemente, estava a despedir-me de uma colega à saída do trabalho e demos um abraço, como fazemos frequentemente, quando ela foi embora a pessoa que estava à minha espera perguntou se a minha amiga ia de férias, confusa disse que não, ao que ela respondeu “mas vocês abraçaram-se... isso é estranho!”. Há uns anos atrás talvez tivesse concordado com ela, mas naquele momento tive pena dela, porque se alguém acha estranho abraçar um amigo é porque não faz ideia do bem que isso sabe.
Não sou uma pessoa muito carinhosa, não gosto de estar com muita gente e o toque humano não é algo a que reaja com naturalidade, talvez porque com o passar do tempo fui também eu acreditando que é necessário uma razão, uma desculpa, para se abraçar alguém. No entanto, tive a sorte de ao longo da minha vida me cruzar com pessoas que pensam de maneira diferente, pessoas que me abraçaram “sem razão”, e que me fizeram mudar de ideias.
Quantos de nós, em momentos de stress, desejamos voltar a ser crianças e ter alguém que nos abrace e que nos faça acreditar que tudo vai ficar bem? Nunca mais voltaremos a recuperar essa inocência, mas mesmo enquanto adultos, é num abraço que podemos encontrar o conforto que muitas vezes nem sabemos que precisamos.
A proximidade afectiva é essencial ao nosso desenvolvimento enquanto seres humanos, precisamos de nos envolver emocionalmente para aprender e crescer, e os abraços são uma maneira simples de nutrir esta proximidade e estabelecer uma relação com os outros. Nada nos aproxima mais de outra pessoa do que um abraço bem dado, um abraço daqueles em que se sente a troca de energia entre dois corpos. É impossível aldrabar um abraço, sente-se quando não é sentido, por isso há um enorme grau de honestidade que acompanha um bom abraço, que nos faz sentir amados, respeitados e que pertencemos.
Podia passar o dia a escrever sobre a ciência por detrás dos abraços, mas não é para isso que aqui estamos. Não precisamos estudar os efeitos que os abraços podem ter em nós, precisamos de senti-los.
Enquanto crianças, procurar o conforto nos braços de outra pessoa é algo que fazemos com naturalidade, contudo, com o tempo, a maior parte de nós perde essa capacidade e é preciso tempo e algum esforço para recuperá-la. Não sou uma pessoa que distribua abraços naturalmente, durante muito tempo convenci-me que esse tipo de “lamechices” não eram para mim, e para ser sincera ainda hoje não consigo fazê-lo com toda a gente, ainda fico muito rígida se sou apanhada desprevenida, não é necessariamente algo que faça sempre com espontaneidade... então porque é que decidi começar a dar mais abraços?
Inconscientemente acho que começou tudo com as crianças, é com eles que estou mais confortável e com eles os abraços e os mimos são instintivos. O que percebi com o tempo foi que quando os abraçava isso dava-me tanto conforto a mim como lhes dava a eles. Isso foi a minha primeira lição – o poder dos abraços – que há benefícios mútos, que o prazer é igual para quem dá ou quem recebe um abraço.
Sou o tipo de pessoa que absorve as dores dos outros, talvez não tenha drama suficiente na minha vida, ou talvez não queria lidar com ele, por isso tenho tendência para sentir dores alheias como minhas, e tenho também o hábito de querer resolver tudo. Quando se tem este nível de empatia, e se é afectado pelo sofrimento dos outros acabamos por perceber que precisamos do seu abraço tanto quanto eles precisam do nosso. Vemos alguém a sofrer e oferecemos um abraço, conforto, e o que acabamos por perceber é que não queremos que o momento termine, porque a verdade é que também nós precisávamos desse abraço. De uma forma egoísta, esse abraço apazigua as nossas dores, convence-nos que, ainda que temporariamente, talvez tenhamos contribuído para que essa pessoa se tenha sentido a salvo.
O meu cérebro é constantemente inundado por palavras, tanto que nos momentos importantes tenho dificuldade em escolher quais usar. Sou racional, gosto de explicações, preciso de palavras para entender o significado da vida, mas a verdade é que muitas vezes não há nada que possamos dizer para melhorar a situação, palavras nenhumas que possam eliminar a dor. Os abraços ajudam. Sentir o corpo que abraçamos a relaxar junto ao nosso, sentir os batimentos cardíacos a estabilizar, por um segundo esquecemos tudo o resto. Por um segundo esquecemos os nossos problemas, por um segundo abdicamos do controlo, deixamos de tentar resolver os problemas da outra pessoa e simplesmente aproveitamos o prazer que aquele momento nos dá. Os abraços ajudam-nos a expressar as nossas emoções, dizem ao outro aquilo que as palavras não conseguem explicar.
Há cerca de um ano e meio, uma amiga introduziu-me ao conceito de “vitaminas”. Por vitaminas entendia todas as acções/gestos positivos que envolvem o outro e que têm o poder de nos energizar. A vitamina A (=abraço) estava no topo da lista. Tudo começou como uma brincadeira, mas quanto mais pensava no assunto mais sentido fazia. Comecei a prestar atenção e percebi que nos dias mais difíceis no trabalho dava por mim ansiosa que os miúdos chegassem da escola, porque a primeira coisa que faziam quando chegavam era vir ter comigo para mimos, e cheguei à conclusão que os seus abraços era o que eu precisava para aguentar o dia até ao fim.
Um abraço força-nos a fazer uma pausa, a tirar um momento de um dia agitado, a deixar de lado os pensamentos e a conectar com o outro, e é por isso que não é preciso estar nada errado para se dar um abraço. A primeira vez que fui viver para o estrangeiro sozinha tinha acabado de fazer 22 anos. Foi uma experiência brutal, nunca sequer tive saudades de casa. Estava bem. Estava a viajar, conheci pessoas fantásticas, estava orgulhosa dos riscos que estava a correr, estava a adorar cada momento, e ainda assim, sempre que visitava a casa da Annee e ela me esborrachava num abraço apertado sentia o meu corpo a derreter. Até hoje é uma das melhores memórias desse ano que guardo comigo.
Ontem, estávamos a dinamizar um workshop sobre “Vitaminas” com uma turma de 10º ano, e a ideia era que os jovens explorassem os efeitos que diferentes acções/gestos têm nas pessoas e como é que eles podiam contribuir para um interacções mais positivas na escola. Perto do fim perguntámos aos jovens porque é que achavam que tínhamos intitulado o workshop de “Vitaminas”, alguns estavam confusos porque o workshop não tinha nada a ver com comida, mas timidamente uma rapariga disse que fazia todo o sentido pois estas acções/gestos positivos (=vitaminas) representavam a “comida psicológica”. E é isso que os abraços são, vitaminas para o nosso ser, alimentam os nossos corações e estimulam as nossas vidas.
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