Monday, July 08, 2019

True Friendship


True friendship is watching a friend fulfill a long time dream you had for yourself for the longest time and not feel an ounce of jealously in your body. It’s hearing the good news and be overwhelmed with a sense of joy and pride that lasts for days. It’s being grateful for being part of that story in any capacity and being sure your life is better because those people are in your life.

Friday, June 07, 2019

8 stages / 8 estágios


Note: Versão portuguesa abaixo.


The first thing that hits you is shock,
A punch in your gut that takes your breath away.
A wave of thoughts run through your mind
And at the same time you’re not thinking at all.


Then there’s a sense of numbness
As you try to make sense of the news.
You understand the words,
But you’re not sure you fully grasp what it means.


This feeling is quickly replaced by anger.
How come the world won’t stop spinning now that you’re gone?
Trivial conversations feel absurd, you know it’s unfair,
But how can people laugh when everything feels wrong?


Overtime you discover partly you were anger at yourself.
Guilt takes over as you relieve every last time…
Last time you saw each other, last time you spoke…
Last time you walked away believing you had all the time in the world.


Overwhelmed with feelings you are not familiar with,
You try avoidance.
You push through the pain and don’t talk about it,
You toughen up and pretend to be able to move on.


Days turn into weeks, weeks turn into months,  
And just when you think you’re over it
You suddenly start waking up in sweat, haunted by vivid dreams,
As depression finally hits you like a truck.


Acceptance takes much longer than you expected,
And is not at all as you predicted.
There’s no long-lasting relief,
It comes in waves, pain subsides, but is never gone.


Eventually you find a way to truly go on with your life,
Trying to balance the tides of nostalgia
With the utter joy of knowing the memories you have
Neither time nor death can take away from you.


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8 estágios


A primeira coisa que te atinge é o choque,
Um murro no estômago que te deixa sem ar,
Uma onda de pensamentos inunda a tua mente,
E ao mesmo tempo não consegues pensar em nada.


Depois vem a sensação de dormência,
Enquanto tentar processar as notícias.
Percebes as palavras que vêm ao teu encontro,
Mas não tens a certeza se entendes tudo o que significam.


Rapidamente esse sentimento é substituído por raiva.
Como é que o mundo pode continuar a girar quando não estás aqui?
Conversas triviais deixam de fazer sentido, sabes que não é justo,
Mas como é que as pessoas podem sorrir quando tudo parece errado?


Com o tempo percebes que parte dessa raiva é contra ti mesmo,
O sentimento de culpa inunda-te à medida que revives cada última vez...
A última vez que se viram, a última vez que falaram...
A última vez que saíste sem olhar para trás, julgando ter todo o tempo do mundo.


Esmagado por todos esses sentimentos que não costumas ter,
Tentas a evasão.
Recalcas a dor e não falas sobre o assunto,
Finges-te inabalável e capaz de seguir com a tua vida.


Dias transformam-se em semanas, semanas transformam-se em meses,
E quando pensas que o pior já passou,
Começas a acordar em suores frios, assombrado por sonhos vívidos,
E és finalmente atropelado pela depressão.


A aceitação demora muito mais a chegar do que aquilo que esperavas
E não se parece  nada com o que antecipaste.
Não há um alívio constante ou duradouro,
Vem em marés, a dor diminui, mas nunca desaparece.


Com o tempo acabas por encontrar maneira de realmente seguir em frente,
Tentando equilibrar as ondas de nostalgia
Com a alegria imensa de saber que as memórias que tens
Nem o tempo nem a morte te podem roubar.


Friday, May 24, 2019

Sadness/Tristeza



Nota: Versão portuguesa mais abaixo.


Today I went to high school to run a session with a 9th grade class. The activity is part of a program we’ve designed and called “I am”. “I am” was created in an attempt to respond to a need felt by the teachers in regards to some classes/teens behaviour in school, at it consists in our team meeting this classes once a week and run non formal workshops to explore soft skills, increase motivation and self and social awareness.

The exercise for today was quite simple. Each student received a blank piece of paper in which they were challenged to write one thing that they didn’t think the other people in the room would know about them. The fact had to be true and they were informed that it should be something they’d feel comfortable in sharing, because even though the papers weren’t signed, the next step was to shuffle all the papers together and then read them out loud one by one and try to guess who it belong to.

After an initial natural blockage and some suggestions, everyone managed to write down a personal fact.

As we started sharing them it was easy to see how some people had made a conscious choice to keep things fairly light while others seemed confortable sharing something more unique or unpredictable about themselves… interestedly enough it was the quietest boy in the room who surprised everyone. His fact was “Sadness, feel it without expressing it”. He was shy and he could barely look me (or the others) in the eye, but his paper was the one that took the exercise to another level. Out of 30 papers, his fact was the one the rest of the class remembered when we got to the end, and it was his sentence that changed the mood of the conversation and got the other students to actually share something deep and personal and talk about emotions.

As the rest of the group passionately weighted in on the sadness and its relevance and the pros and cons of expressing it, the boy remained quiet, but he didn’t had to say anything else, because the bravery he showed by sharing his truth had already made a great impact on his colleagues. His honesty, despite his discomfort, created a learning opportunity for the class, and the respect the others showed for his confession for sure had a positive impact on him too.

This is the magic of non-formal education.

Before we started working with this class, we were told that the situation was so bad that teachers were self-medicating before entering the classroom, and there’s a big chance they still feel the chance to do that… because we don’t have magic wands and we don’t have all the answers, but watching the interactions that happened in this classroom today tells me that we are definitely on the right path. We need to think out of the box, we need to listen to their needs, we need to get them emotionally involved… then they’ll learn.



“Tristeza, senti-la sem a expressar”


Hoje visitei uma escola para dinamizar uma sessão com uma turma de 9º ano.

A actividade faz parte de um programa que desenhámos e a que chamámos “I am”. O “I am” foi desenvolvido no sentido de dar resposta a uma necessidade sentida pelos professores relativamente ao mau comportamento demonstrado por algumas turmas/alunos, e consiste em dinamizarmos workshops semanais onde os alunos possam explorar as suas soft skills, aumentar a sua motivação e desenvolver uma maior consciência pessoal e social.

O exercício de hoje era bastante simples. Cada aluno recebeu um pedaço de papel em branco no qual deviam escrever um facto pessoal que os outros não soubessem sobre eles. Esse facto tinha de ser verdade e algo que os jovens se sentissem confortáveis em partilhar, pois embora os papeis fossem anónimos, o próximo passo era baralhar os papéis, lê-los em voz alta e tentar adivinhar a quem pertenciam.

Após um pequeno bloqueio inicial e algumas sugestões, todos os alunos conseguiram completar esta tarefa.

À medida que um a um os papeis foram lidos, foi fácil perceber que alguns alunos tinham feito uma escolha consciente de manter um ambiente mais leve, enquanto outros pareciam mais confortáveis a partilhar algo mais único ou imprevisível sobre si mesmo... curiosamente foi o jovem mais calado da turma que surpreendeu toda a gente. No seu papel podia ler-se “Tristeza, senti-la sem a expressar”. Um rapaz tímido e calado que mal nos conseguia olhar nos olhos, e ainda assim foi o seu papel que elevou o exercício ao nível seguinte. De entre os 30 papéis, a sua afirmação foi que mais colegas se recordavam no final da sessão, e foi sem dúvida aquela que (re)definiu o tom da sessão e levou os outros a partilharem algo mais intimo e a falar sobre emoções.

À medida que a turma discutia apaixonadamente  os pros e contras de sentir tristeza E expressá-la, o rapaz manteve-se em silêncio, mas a verdade é que não precisava de dizer mais nada, pois a coragem que demonstrou ao partilhar a sua verdade foi o que mais impacto criou nos seus colegas. A sua honestidade, apesar do desconforto causado, criou uma oportunidade de aprendizagem brilhante para o resto da turma, e o respeito que os colegas demonstraram pela sua confissão por certo tiveram um impacto positivo nos jovens.

Esta é a magia da educação não formal.

Antes de começarmos a trabalhar com esta turma a informação que recebemos é que a situação era tão má que alguns professores se auto medicavam antes de entrar para a sala de aula, e há uma grande probabilidade que ainda o façam, porque não temos uma varinha mágica e não temos todas as respostas.... contudo, observar as interações que aconteceram nesta sala de aula hoje diz-me que estamos definitivamente no caminho certo. Precisamos de pensar fora da caixa, precisamos de ouvir as suas necessidades, precisamos de os envolver emocionalmente... assim aprenderão.


Sunday, April 07, 2019

Is family everything? / A família é tudo?


Nota: Versão portuguesa mais abaixo


It is not uncommon for people to have a degree of fascination for my family. We’re a numerous bunch of weird humans, with very unusual dynamics, whose sense of normalcy tends to differ quite a lot from the general population.

Growing up, I thought having 60+ people over for Christmas was normal, that everyone did Christmas plays to entertain the family, that it was common to go on summer holidays with 30 other people or organize family-exclusive summer camps… It was overtime that slowly I realised that not every grandma had an industrial fridge in her kitchen, and not every kid had 12 uncles and aunts and over 25 cousins… You see, I grew up surrounded by people. Where I come from, whether you wanted it or not, you were never alone.

Now that I’m more aware of how different we are from a “normal” family, I do understand the curiosity of the outsiders. It has happened in different occasions that we are sharing family stories and I get the impression that people create this ideally image of our family. It’s more than an impression, actually, people have said it, they praise our unity and harmony. And it got me thinking if to some degree I was being hypocritical, because if there’s a family who is as dysfunctional and messed up as any other, it is ours. So why doesn’t that come across to people? Is it something that we hide?

When I look at it, there’s actually a lot that isn’t perfect about us…
We are loud and quite often insane.
We are critical and harsh.
We’re unhealthily strong. In our own ways we tend to carry the weight of the world in our shoulders.  
We are demanding, and very rough around the edges, and whenever we’re around things tend to get messy.
We’re not all warm and fuzzy, and unlike people may think, we don’t often let out spontaneous proclamations of love for each other.
It’s not always easy to find your place in such a crowed environment, even less to make your voice be heard.
We don’t all get along to the same level. Actually, some don’t get along at all.
You mention any kind of family dispute and we have it. You don’t get to gather this many people together without getting all the craziness too.

 So, why is it that none of this seems to transfer to those who ask us about our family?

I think there are two main reasons for it.

One is that although we are not all close, when I think of family, when I speak of family, what comes to my mind are the ones that are close to me. Family to me, has very little to do with blood. Family to me are the people who go through life with you and so when I share stories about my family, these are the people I naturally tend to focus on. It is not a deliberate thought to hide something, it’s honestly instinctively focus on those who matter.
The second reason is that, despite all the “non-perfect” issues mentioned above, there is something much stronger biding us together, a sense of belonging to this unique clan with its own set of rules and values, that no-one from the outside can truly comprehend.

We cherish our time together. We don’t just settle for the big occasions, we make a conscious effort to create opportunities to gather.  

We are loyal and we tackle our problems together. As annoying as it can be at times to have a bunch of people weighing in in a personal issue, it is also comforting to know that that many people care.

We have a lot of opinions, and most of us are not afraid to share them, but if you screw up there will always be a hand to pull you up, because chances are, someone else has messed up even badly before.

There may be a lot of uniqueness about our family, but there’s actually very little perfection, which is very likely why it works… because we are a group of very different, imperfect people, who chose to stay together and who in reality follow only one common rule, no-one is left behind!

I don’t often know where I fit in this family, but I never doubt that I belong here. And if there’s one thing than I know for sure is that whether I’m on the side that has a problem, or the side that is trying to resolve it, if I’ll pick up the phone, there will be someone on the other side.


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A família é tudo?


É comum as pessoas terem um certo grau de fascinação pela nossa família. Somos um grupo enorme de estranhos seres humanos, com uma dinâmica muito própria, cujo sentido de normalidade tende a ser muito diferente do resto da população.

Quando era miúda pensava que era normal ter mais de 60 pessoas à mesa para o jantar de natal, pensava que em todas as casas se faziam peças de teatro para entreter a família, que era comum ir de férias com mais 30 pessoas, ou organizar campos de férias exclusivos para a família... Só com o tempo percebi que nem todas as avós tinham um frigorífico industrial na cozinha, que a maioria das crianças não tinha 12 tios e mais de 25 primos direitos... Eu cresci rodeada de gente. De onde venho, quer o desejasses ou não, nunca estavas sozinho.

Agora que tenho mais noção de como somos diferentes de uma família “normal”, percebo um pouco melhor a curiosidade de quem está de fora. Acontece em várias ocasiões partilhar histórias de família, e muitas vezes fico com a impressão que as pessoas criam uma imagem idealizada da nossa família. Na verdade é mais do que uma impressão, muitas vezes as pessoas elogiam a nossa união e harmonia. E isso fez-me pensar até que ponto estava a ser hipócrita, porque se há família mais disfuncional que todas as outras, é certamente a nossa. Então porque é que isso não parece passar para os outros?

Quando penso objectivamente, na verdade há muita coisa que não é perfeita na nossa família...

Somos barulhentos, e para utilizar um eufemismo, insanos.
Somos muito críticos e bruscos.
Somos nocivamente fortes. Cada um há sua maneira, temos tendência a querer carregar o peso do mundo nos nossos ombros.
Somos exigentes, e duros, e quando estamos por perto tudo tem tendência para se tornar caótico.
Não somos muito carinhosos, e ao contrário do que as pessoas possam pensar, não proclamamos facilmente o amor que sentimos uns pelos outros.
Não é fácil encontramos o nosso espaço num ambiente tão lotado, e ainda é mais difícil fazer com que a nossa voz seja ouvida.
Não nos damos todos bem. Na verdade, alguns de nós não se dão de todo.
Qualquer nível de disputa familiar que possam pensar, nós temos. Afinal de contas, não seria possível juntar um número tão grande de pessoas sem arrastar muita loucura também.

Então, porque é que nada disto parece ser absorvido por aqueles que nos perguntam sobre a nossa família?

Na verdade acho que há duas razões principais.

A primeira é que apesar de não sermos todos próximos, quando penso em família, quando falo de família, o que me vêm à ideia são as pessoas que estão perto de mim. A família para mim tem muito pouco a ver com consanguinidade. A família para mim são as as pessoas que enfrentam a vida ao meu lado, e por isso, quando partilho histórias sobre a minha família, são essas as pessoas de quem naturalmente me lembro. Não há nenhuma intenção deliberada de esconder o outro lado, há apenas um instinto natural de me focar em quem importa.

A segunda razão é que, apesar de todas as “imperfeições” mencionadas anteriormente, há algo muito mais forte que nos une, um sentimento de pertença a um clã único, com o seu próprio conjunto de regras e valores, que ninguém que não faça parte dele poderá verdadeiramente compreender.

Estimamos o tempo que passamos juntos, mas não nos deixamos limitar por ocasiões especiais. Fazemos um esforço consciente para criar oportunidades para nos juntarmos e tiramos o maior partido delas.

Somos leais e enfrentamos os grandes problemas em conjunto. E por muito irritante que possa ser por vezes ter um monte de gente a dar palpites sobre um assunto pessoal, também é reconfortante saber que tanta gente se preocupa.

Temos muitas opiniões, e muitos de nós não temos problemas em partilhá-las, mas se fizeres asneira vai sempre haver uma mão que te ajude a levantar, porque o mais provável é que já alguém antes tenha feito uma asneira maior.

A nossa família pode ter um lado único, mas na verdade tem muito pouco de perfeito... o que provavelmente é exactamente o que faz com que funcione tão bem... porque somos um grupo de pessoas muito diferentes e imperfeitas que decidiram manter-se juntas e que na verdade só têm uma regra em comum, não deixar ninguém para trás!

Nem sempre sei qual é o meu papel nesta família, mas nunca duvido que a ela pertenço. E se há certeza que tenho é que quer esteja no lado de quem tem um problema ou quem está a tentar resolvê-lo, se pegar no telefone vai sempre haver alguém do outro lado.

Thursday, March 28, 2019

Know your impact/Conhece o teu impacto


Nota: Versão portuguesa abaixo


When i was little I used to wonder how the world would be if i had never been born.

It happened in different occasions, but I have this clear vision of third grade me, sitting at the cafeteria, surrounded by friends and teachers that I loved, and just wonder if anything would be any different if I wasn’t there.

I’d shut my eyes hard, until all I could see was pitch dark, in hopes the image would get clear. Much like toddlers, who cover their eyes and believe no-one can see them, I thought maybe if I’d close mine they wouldn’t see me.

I didn’t feel out of place, I wasn’t sad or depressed, nothing really brought it up, I was just curious… I was simply a kid, I hadn’t accomplished anything major, I hadn’t made a difference in the world, I didn’t even know that many people, so how much difference could it really make?

The answer for this question, I’d learn later, is something I will never know.

I might find out how much losing someone can change every little thing in one’s life, and I have. But that’s not the same as knowing how never meeting someone can change the route of things.

As I said, I don’t really know what made me have these thoughts, I guess I just always needed a purpose, I thought I needed a reason to be here… alive. Merely living always seemed too simple, I was sure there had to be something else, a bigger picture, some kind of mission.

Growing up was hard, feeling the years pass by and not feeling any closer to finding out what my mission was, was daunting. For a long time I was so worried I was wasting precious time that I ended up not fully enjoying what I had in hands.

I’ve learned to slow down slightly. I’ve realised, over the years, that while I worried I was wasting time, I was actually having one of a kind experiences and growing myself up. And I may not be any closer to finding out WHY I am here, but I dare to say I’m a little bit closer to WHO I am. 

I don’t think I’ll ever stop needing a reason to justify my existence, that’s just who I am… but maybe a need to take a step back and see things from a different perspective.

What if I don’t need to look for a reason anymore? What if, whatever my purpose is, I have being working it without even knowing?

“Know your impact”

I was reading today about all the plans and ideas we all have and how often, despite our best intentions and motivation, we get stuck on “Where do I start?”. According to the author the answer was as simple as “Know your impact” - find out the magnitude your actions, your existence, has on the people around you, and take it from there. And it got me thinking that maybe it’s not about finding a purpose and shaping our lives to it, maybe it’s about looking into our lives and see what being ourselves is already accomplishing.    


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Conhece o teu impacto


Em pequena tinha por hábito tentar imaginar como seria o mundo se eu nunca tivesse nascido.

Era algo que fazia com alguma regularidade, mas lembro-me em particular de  um dia, na terceira classe, estar no refeitório, rodeada de amigos e professores que adorava, e de tentar imaginar se alguma coisa seria diferente se eu não existisse.

Fechava os meus olhos com muita força, até não ver nada mas um denso manto preto, na esperança de conseguir imaginar com mais clareza. Tal como um bebé que tapa os olhos e acredita que ninguém o vê,  pensava que talvez se fechasse os meus também eu desaparecesse.

Não me sentia deslocada, não estava triste nem deprimida, não tinha acontecido nada de particular, tinha apenas curiosidade... era só uma criança, ainda não tinha feito nada de especial, ainda não tinha contribuído com nada para o mundo, nem sequer conhecia assim tantas pessoas, por isso também não podia fazer assim uma diferença tão grande, certo?

A resposta a essa pergunta, descobriria mais tarde, nunca iria encontrar.

Poderia até vir a descobrir como perder uma pessoa pode mudar significativamente a nossa vida, o que se veio a verificar. Mas isso é diferente de sabermos como é que o facto de nunca conhecermos uma pessoa pode alterar o nosso caminho.

Não sei de onde vinham estes pensamentos, acho que simplesmente sempre precisei de um propósito, pensava que precisava de uma razão para estar aqui... viva. Meramente viver sempre me parecera demasiado simples, estava certa que tinha de haver algo mais, uma espécie de missão.

Crescer foi difícil, sentir os anos a passar e não me sentir mais perto de descobrir qual era a minha missão era aterrador. Durante muito tempo preocupei-me tanto em desperdiçar tempo que acabei por não aproveitar o que tinha em mãos.

Eventualmente acabei por aprender a abrandar um pouco. Aprendi, com os anos, que durante o tempo que achava que desperdiçava, estava na verdade a viver experiências únicas e a crescer. E talvez não esteja hoje mais próximo de descobrir PORQUE é que estou aqui, mas atrevo-me a dizer que estou mais próxima de QUEM sou.

Acho que nunca vou deixar de precisar de uma razão que justifique a minha existência, mas percebo agora que talvez tenha de olhar para trás com uma perspectiva renovada.
E e não precisar de procurar uma razão? E se, qualquer que seja o meu propósito, eu já o esteja a realizar sem me dar conta?

“Conhece o teu impacto”

Hoje, estava a ler sobre todas as ideias e planos que temos e que frequentemente, apesar das nossas intenções e motivações, deixamos cair por terra porque ficamos presos no “Onde é que começo?”. De acordo com o autor,  resposta é tão simples como “Conhece o teu impacto” – descobre a magnitude que as tuas ações, a tua existência, tem nas pessoas à tua volta, e começa ai.

Isso fez-me pensar que se calhar não se trata de encontrarmos um propósito e moldar as nossas vidas a ele, se calhar trata-se de olharmos para as nossas vidas e percebermos o que é que sermos nós mesmos já atingiu.

Sunday, March 10, 2019

Women/Mulheres


Nota: Versão portuguesa mais abaixo.

A few years ago, my friend, who had recently moved in into a new area, was telling me about this neighbour she had watched and instinctively guessed was part of my family. After asking a few questions we came to the conclusion that she was right, that the woman she was talking about was indeed one of my aunts. When I asked how she had guessed it, she said there was something about the way she was handling 3 small kids on her own, completely relaxed, but in control, that she just knew.

That’s the story of my life – I come from a BIG family of strong, independent women, a lot of which are/were mainly (if not exclusively) in charge of not only the kids, but also all family and even financially matters. It all started in my childhood, and don’t get me wrong, men were always present – brothers, uncles, dad – but it was always very clear to me, as a kid, who was in charge. There was one person we’d ask permission for if we wanted to do something (and one person we “feared” when we got in trouble)… and that was mom!

It wasn’t just at home, from the matriarch grandmother who birthed and raised 13 children, to the single aunts who carried the family and the sisters who support eachother through the ups and downs of life, the message has always been clear – it isn’t always easy, but we look after eachother, we face things together and we don’t leave anyone behind.

Family had, therefore, its major role in shaping my conceptions about women in the early years, but the reality of it is that, due to sheer of luck or because my previous experiences led me to higher standards, it didn’t end there.  

Looking back, my whole life I’ve been blessed to be surrounded by strong women. There’s the wiser older one who always speaks her mind, the one  who unapologetically lives in her own world at her own pace, the one I met as a crazy, irresponsible (but tremendously talented and confident) young girl who has grown so much, the bubbly one who battles depression, the one who asked for a leave of absence and crossed the ocean to build homes for people in need, the one who was forced to emigrate at a young age and soon became a top student in a foreigner language school, the ones who venture to exotic destinations with female partners only (or even alone), the ones who organize these kind of trips for women who may not feel confident enough to do it alone, and so many others I could talk about. All around, I have friends from around the world who fight for their dreams, who break barriers and stereotypes and support other women along the way. Teachers, athletes, engineers, future doctors and surgeons, entrepreneurs, stay at home moms, married or single, straight or gay, black or white, rich or poor… real people, who are not perfect, who cry and fall and make mistakes, but do not give up. It just shows strong women can be find everywhere.

I often hear that women are nasty for eachother and I strongly disagree. I don’t doubt that has been your experience, but maybe it’s not about the gender, but the kind of people you surround yourself with. I played basketball in a female team for over 15 years, I went to college in an all girl’s class and I work in female-dominated field, and sure I have encountered my fair share of unpleasant women (just like I have met my fair share of unpleasant men), however, the majority of them, and the ones I choose to remember, are women who raise people higher, who genuinely celebrate other women’s success, who watch out for eachother, who support and inspire the ones around them, who are fierce yet sensible, who care about others and find simple ways to make a hard day just a tiny bit easier.

These are the kind of women I have in my life and this is the kind of woman I strive to be.


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Mulheres

Há uns anos, uma amiga que tinha mudado de casa recentemente estava a contar-me sobre uma vizinha que ela tinha visto, e que na sua opinião só podia ser da minha família. Após algumas perguntas, chegámos à conclusão que a mulher em questão era de facto uma das minhas tias. Quando lhe perguntei como tinha adivinhado, a minha amiga disse que havia algo na forma despachada e em controlo como a mulher estava a gerir uma situação sozinha, com três filhos pequenos, que a levou a instintivamente chegar a essa conclusão.

Essa é a história da minha vida – sou descendente de uma GRANDE família de mulheres fortes e independentes, muitas das quais foram/são maioritariamente (se não exclusivamente) responsáveis não só pelas crianças, mas também por todas as questões familiares e por vezes até financeiras. Tudo começou na minha infância, e não me interpretem mal, os homens estiveram sempre presentes – pai, irmãos, tios – mas foi sempre claro para mim, enquanto miúda, quem é que estava no comando. Havia uma pessoa a quem pedíamos autorização para fazer fosse o que fosse (e uma pessoa que “temíamos” quando nos metíamos em sarilhos)... a mãe!

Isto não acontecia só em casa, desde a avó matriarca que deu à luz e criou 13 filhos, às tias solteiras que carregavam a família, passando claro pelas irmãs que se apoiam pelos altos e baixos da vida, a mensagem sempre foi bem clara – as coisas nem sempre são fáceis, mas tomamos conta umas das outras, enfrentamos as coisas juntas e não deixamos ninguém para trás.

A família teve por isso um papel fundamental na forma como criei as minhas concepções sobre as mulheres nos meus primeiros anos de vida, mas por pura sorte, ou porque as experiências do passado me levaram a ter padrões mais elevados, não terminou aí.

Olhando para trás, toda a minha vida estive rodeada de grandes mulheres. Há a mais velha e sábia que nunca deixa nada por dizer, aquela que sem desculpas vive no seu mundo à parte e ao seu próprio ritmo, aquela que conheci como maluca e irresponsável (mas incrivelmente talentosa e confiante) que cresceu imenso, a bem disposta que luta contra a depressão, aquela que pediu licença sem vencimento para cruzar o oceano e construir casas para famílias necessitadas, a que foi obrigada a emigrar ainda criança e que rapidamente se tornou uma aluna de topo numa escola estrangeira, aquelas que se aventuram em destinos exóticos com outras amigas (ou até sozinhas), as que organizam excursões a estes tipos de destinos para mulheres que não se sentem confiantes em fazê-lo sozinhas e tantas mais que haveria para falar. Mulheres dos quatro cantos do mundo que lutam pelos seus sonhos, quebram barreiras e estereótipos e que apoiam outras mulheres pelo caminho. Professoras, atletas, engenheiras, futuras médicas e cirurgiãs, empreendedoras, mães a tempo inteiro, casadas ou solteiras, gays ou heterossexuais, brancas ou pretas, ricas ou pobres... pessoas reais, que não são perfeitas, que choram e caem e cometem erros, mas que não desistem. O que mostra que grandes mulheres podem ser encontradas em qualquer lugar.

Já ouvi várias vezes dizer que as mulheres são más umas para as outros, e discordo fortemente dessa ideia. Não duvido que essa seja a experiência de algumas pessoas, mas acho que tem pouco a ver com o género e mais a ver com o tipo de pessoas com quem nos escolhemos relacionar. Fiz parte de uma equipa de basket feminina durante mais de 15 anos, na faculdade a minha turma era constituída apenas por mulheres e trabalho numa área dominada pelo sexo feminino, e claro que já me cruzei com mulheres desagradáveis (tal como já me deparei com homens desagradáveis), mas a maioria, e aquelas que escolho lembrar são mulheres que elevam as pessoas à sua volta, que genuinamente celebram o sucesso de outras mulheres, que cuidam umas das outras, que apoiam e inspiram quem as rodeia, que são destemidas mas sensíveis, que se preocupam com os outros e que procuram pequenos gestos para tornar um dia difícil um bocadinho mais fácil.

Este é o tipo de mulheres que tenho na minha vida, e este é o tipo de mulher que ambiciono ser.

Thursday, November 15, 2018

Finding yourself / Procura interior


Note: Portuguese below.

How many of us, at some point in life, have felt the need to find themselves? For some it happens in teenage years, or after college, for some much later, maybe masked as a mid-life crisis, but sooner or later, chances are we will go through it.

The question is, what does it even mean? How do we lose ourselves? Our self is not an object that can be left behind, forgotten in a random corner, so how do we lose it? And more importantly, how do we find it?

Perhaps we don’t. Perhaps it was never really lost to begin with, perhaps it is just disguised under cultural conditioning, society’s opinion and inaccurate self-judgment we’ve developed over the years.

Who were you has a child? What did you believe in, what made you tick prior to being led to be who the world thought you should be?

Losing yourself usually happens when, consciously or unconsciously, you let the world change you in ways that force you to do or be what you should do/be, instead of doing what you truly want and being who you really are.

We are not the same people we were when we were children, we’ve lost innocence, we’ve changed, we’ve grown… but is our core really that much different? Our hopes and dreams may have developed, but how distant are they from where they originally started?

What if we have it wrong from the start? What if we don’t need to find ourselves? What if what we do need is to follow the path that will help us create ourselves, starting from the naïve children we were and taking in consideration each and every defining experience we have had?

There’s this mystic notion of finding ourselves, like a magical quest that will end up in a perfect place where all the answers are found and we are immerse in an unbroken sense of tranquility, but what if the goal is not the destination, but the journey?

We see this process of soul-searching as a need to redefine ourselves, but what if the ultimate goal is not to become anything different, but to go back to our roots and embrace who we were meant to be in the first place? New beginnings and fresh scenarios will be helpless if you don’t allow yourself to look inside, accept who you are and what you want to become.



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Procura Interior 


Quantos de nós, em algum momento das nossas vidas, sentimos a necessidade de procurar o nosso verdadeiro “eu”? A alguns acontece na adolescência, ou a seguir à faculdade, para outros bastante mais tarde, às vezes até disfarçada de uma crise de meia-idade. Seja em que altura for, o mais provável é passarmos por isso.
A questão é, o que é que isso significa? Como é que perdemos o nosso “eu”? Não é um objecto que possamos deixar para trás, esquecido num canto qualquer, então como é que o perdemos? E mais importante ainda, como é que o encontramos?

Se calhar não encontramos. Se calhar na verdade nunca o perdemos, se calhar o nosso “eu” está só escondido por baixo de camadas de condicionantes culturais, opiniões da sociedade e julgamentos negativos que fomos desenvolvendo sobre nós mesmos ao longo dos anos.

Quem eras enquanto criança? No que é que acreditavas? O que é que fazia o teu coração bater mais forte antes de te sentires forçado a ser aquilo que o mundo esperava que fosses?

Este processo de perda do nosso “eu” normalmente acontece quando, consciente ou inconscientemente, deixamos o mundo influenciar-nos de tal forma que passamos a fazer e a ser o que é suposto, em vez daquilo que verdadeiramente queremos e/ou somos.
Não somos as mesmas pessoas que éramos enquanto crianças, perdemos inocência, mudámos, crescemos… mas será o nosso core assim tão diferente? As nossas esperanças e sonhos podem ter-se desenvolvido, mas estarão assim tão distantes dos originais?

E se estivermos a ver isto tudo de forma errada desde o início? E se não precisarmos de nos encontrar? E se tudo o que precisamos é seguir o caminho que nos ajude a criar o nosso “eu”, partindo da criança inocente que fomos e tendo em consideração todas as experiências significativas que tivemos ao longo da vida?

Há uma mística enorme à volta desta ideia de procura interior, como se tratasse de uma caça ao tesouro mágica que termina num lugar perfeito onde encontramos todas as respostas e estamos imersos num inabalável sentimento de tranquilidade, mas e se o objectivo não for o destino final, mas sim o caminho?

Vemos este processo de procura interior como uma necessidade de nos redefinirmos, mas se calhar o que precisamos não é de nos tornarmos em algo diferente, mas sim voltarmos às origens, e abraçarmos aquilo que sempre soubemos ser. Recomeços e mudanças de cenário são inúteis se não estivermos dispostos a olhar para dentro de nós, e aceitar quem somos e o que queremos ser.