Thursday, October 22, 2020

Make a wish / Pede um desejo

 Nota: Versão portuguesa mais abaixo


I had a birthday recently and I was asked (repeatedly) what I wished for the next year. When I claimed I didn’t wish for anything in particular people found it hard to believe, they thought I was being mysterious or secretive about it.

A couple days ago I got a fun gift, a cute notebook to take notes about “100 things I want to accomplish, create, learn, share, improve, see, fight for, experience and organize”, I basically only need 10 things for each category and yet it’s surprising how hard it is to come up with ideas.

I live in the constant struggle of being focused on the future while dwelling on the past, while finding extremely difficult to be in the present, but while I fantasize about what could be, those are not necessarily things I wish for. In fact, some are things I don’t want to happen at all.

Fantasizing is an escape, but it is also a way to experience parallel realities, to test limits, imagine how I would react to different scenarios, process emotions and experiences, reflect about life’s meaning and my purpose in this world. The good thing about having a wild imagination is that, one, you come up with so many scenarios, that you don’t get attached to any in particular and two, some of them are so unrealistic that you don’t really expect them to become true anyway. To it allows you to low off some steam, it allows you to expel some energy and frustrations and fears, but it doesn’t set up expectations so high that make anything else unpleasant.

So what this experience has taught me, both being asked about my wishes and trying to fill in that notebook, is that I don’t really have many wishes, at least not concrete ones. I’m open to many experiences, I hope I get to keep on traveling and cross my path with inspiring people, just like I hope I keep growing and finding my place in the world, but I don’t have a detailed idea on what that means, what that looks like. I don’t wish to go here or there, because what I really want is to go everywhere. I don’t want to meet a particular person or group of people, because there are so many that are worth knowing. Everyday I discover news things I want to grow at, and when it comes to my place in the world… more and more I’m finding it’s about the journey.

So other than the obvious, health and peace for everyone (which I know is already asking a lot, but not in my control), I don’t really wish for anything. I’ll take what it comes and try to make the best of it.

 

Pede um desejo

 

Fiz anos recentemente, e foi-me perguntado, repetidamente, que desejos tinha para o próximo ano. Quando respondi não ter nenhum desejo em particular as pessoas não acreditaram, acharam que estava a ser misteriosa ou a querer guardar segredo.

Há uns dias recebi um presente, um bonito caderno intitulado “100 coisas que quero alcançar, criar, aprender, partilhar, melhorar, ver, defender, experienciar, organizar”, a premissa é escrever 10 coisas para cada categoria, mas é mais difícil do que parece!

Eu vivo na constante luta entre viver focada no futuro, com a nostalgia do passado… É-me muito difícil viver no presente, mas apesar de fantasiar muito, as minhas fantasias não são necessariamente desejos, aliás algumas não são sequer coisas que quero que aconteçam.

A fantasia é um escape, mas também é uma forma de experienciar realidades paralelas, de testar limites, imaginar como reagiríamos em cenários alternativos, de processar emoções e experiências, reflectir sobre o significado da vida e o nosso propósito no mundo. A vantagem de ter uma imaginação fértil é que, por um lado, inventamos tantos cenários, que não ficamos vinculados a nenhum em particular, e por outro, alguns desses cenários são tão irrealistas que jamais esperamos que se tornem realidade. Isso permite libertar alguma pressão, expelir energias, frustrações e medos sem, no entanto, criarmos expectativas demasiado altas ou inatingíveis.

Esta experiência, de ser questionada sobre os meus desejos e de tentar preencher aquele caderno fez-me perceber que não tenho mesmo grandes desejos, pelo menos nada que seja concreto. Estou aberta a muitas experiências, espero poder continuar a viajar e a cruzar o meu caminho com pessoas inspiradoras, tal como espero continuar a crescer e a encontrar o meu espaço no mundo, mas não tenho a mais vaga ideia do que isso significa. Não desejo ir aqui, ou ali, porque na verdade quero ir a todo o lado. Não desejo conhecer uma pessoa ou grupo de pessoas em particular, porque há tantas que vale a pena conhecer. Todos os dias descubro coisas novas que quero aprender, e no que diz respeito ao meu lugar no mundo… cada vez mais me convenço que o que importa é o caminho.

Por isso, tirando as óbvias, paz e saúde para todos (que já é um desejo enorme, mas que não depende de mim), não desejo nada. Aceito o que vier, e tentarei tirar partido da melhor forma.

Monday, October 19, 2020

I am what I am / Sou o que sou

 Nota: Versão portuguesa mais abaixo.

 

Are the skills that define us things that we were born with, or consequences of the life we have lived so far?

Are these features everyone thinks are so natural to us really innate, or are they things we were forced to learn to develop over time?

Recently I was talking to a colleague about people’s mindsets and characteristics and she made think about the questions above. There’s so much about ourselves we think is by default, that we believe is who we are and cannot change, but what if some of them are self-defense mechanisms we’ve developed to survive?

Maybe people who seem calm and collected aren’t so naturally, maybe they’re so anxious and troubled all the time that out of self-preservation they had to learn coping mechanisms.

Perhaps people who seem optimistic aren’t naturally so, maybe they’re just so aware of all the ways things can go wrong all the time, that to keep their sanity they had to learn to focus on the good, not to be swallow by the darkness.

What about people who do well under pressure? Are they truly unafraid, or are they just so used to live in constant panic that their baseline became too high?

Then we have people who are kind and empathetic. Were they really born that way, or have they been hurt so much that they can’t be oblivious to other people’s pain?

What if people who are joyful and smile constantly aren’t so naturally? What if they had to learn to embrace the darkness that surrounds them and enjoy the glimpses of happiness they find here or there?

It’s easier to think that certain skills come easier to others, it’s easier to look around and assume others are lucky to have things come so automatically, but is it really so?

Sure, we are different, and our personalities are a combo of internal and external factors, but maybe it’s also easier to say we are who we are, to settle, and just blame it on the skills we were not blessed with. But does that help us in the long run? Does it really make things easier?

Sure, it’s easier to complain, to blame it on nature or even our upbringing, than to admit that we don’t try enough, that we don’t put enough effort on it. Yes, nature and childhood have a brutal impact in who we become, but it can’t be an excuse for everything.

Change is hard, learning skills, alter behavior is challenging and tiring, but what if it’s worth it?

What if there are skills, things about us, that we can work on, that we can improve that make life less hard and more enjoyable? What if we stop comparing ourselves to others, and use them as inspiration instead? What if, even if we never become naturals at certain skills, we can at least get better at them?

Being stuck to a pattern that keeps us in the same vicious circle… is that really an easy more enjoyable way to live life?



Sou o que sou

 

Será que as características que nos definem são algo que nasceu connosco, ou consequências do nosso percurso de vida?

Serão esses traços de personalidade que todos pensam ser tão naturais em nós realmente inatos, ou serão competências que nos vimos forçados a aprender ao longo da vida?

Recentemente estava a falar com uma colega sobre mentalidades e características das pessoas, e ela fez-me pensar sobre estas questões. Há tanto em nós que acreditamos ser por defeito, como se fosse uma condição pré-definida, tanto em que acreditamos que somos como somos e não podemos mudar, mas e se algumas dessas características forem mecanismos de defesa que fomos desenvolvendo ao longo dos anos?

Será que as pessoas calmas e compostas o são naturalmente, ou será que são tão ansiosas e estão tão desesperadas o tempo todo que, para manter a sua sanidade, tiveram de desenvolver estratégicas de sobrevivência?

Será que as pessoas que são optimistas o são naturalmente, ou será que estão constantemente conscientes de tudo o que pode correr mal e, para manter a sua sanidade mental, aprendem a focar-se no que há de positivo para não se deixarem absorver pela negridão dos seus pensamentos?

E as pessoas que funcionam bem sob pressão? Serão mesmo destemidas, ou estarão tão habituadas a viver em pânico constante que já nem o reconhecem?

Temos também as pessoas atenciosas e empáticas. Nasceram mesmo assim, ou será que o sofrimento que já tiveram de superar faz com que sejam incapazes de ser indiferentes à dor alheia?

E as pessoas alegres e com um sorriso permanente no rosto. Será que vivem mesmo num mundo cor de rosa, ou será que aprenderam a aceitar as trevas que as rodeiam e a aproveitar os pequenos vislumbres de felicidade que encontram no seu caminho?

É mais fácil assumir que certas características são naturais nos outros, é mais fácil olhar em redor e assumir que os outros são sortudos por terem sido tão abençoados com tantas coisas boas, mas será mesmo assim?

Sim, somos todos muito diferentes, as nossas personalidades são um misto de factores internos e externos, mas se calhar muitas vezes é mais fácil encontrar desculpas, dizer que somos quem somos e não podemos mudar, acomodarmo-nos, pôr todas as culpas nas características que não tivemos a sorte de nascerem connosco. Mas, a longo prazo, será que isso nos ajuda? Será que realmente torna as coisas mais fáceis?

É fácil, e mais automático, queixarmo-nos, culpar a nossa biologia, ou até a nossa infância, do que admitir que não tentámos o suficiente, que não nos esforçámos o suficiente. E sim, tanto a natureza como a infância influenciam, e muito, mas a certo ponto isso deixa de ser uma desculpa válida.

As mudanças são difíceis, aprender novas competências, alterar comportamentos, tudo isso é desafiante e desgastante, mas e se valer a pena?

E se houver competências, características em nós, que podemos melhorar, que podemos desenvolver para tornar a vida menos difícil e mais prazerosa? E se deixarmos de usar os outros como medida de comparação e os usarmos como inspiração? E se, mesmo que nunca consigamos ser óptimos em determinadas coisas, conseguirmos pelo menos ser melhores do que somos hoje?

Ficar preso num ciclo vicioso de comportamentos e atitudes… será isso realmente a forma mais fácil de viver a vida?

Sunday, October 11, 2020

Another trip around the sun / Mais uma volta em torno do sol

Nota: Versão portuguesa mais abaixo. 


As a kid I had so many certainties about the future. I knew exactly where I wanted to be at a certain age, I knew exactly what I wanted to do for the rest of my life, I knew exactly the kind of person I wanted to become. Back then, it was never about the what, or when, or where, or if… it was just a matter of how. How will I get there?

Later in life, when I was hit with the cold strike of reality, when I was drowning in self-doubt and philosophical questions, I figured growing older would eventually give me some clarity.

I tried to be patient (which I’m not very good at), I waited desperately, year after year, for the answers to come, for the choices to become easier, for life to become simpler…. Until I realized that not only, I wasn’t getting any closer to figuring out my future or the people around me, I wasn’t even getting any closer to figuring out myself.

If back in the day, things were unequivocal, straightforward and obvious, because I, myself, was rigid and dogmatic, as I began to force myself to say yes to opportunities, to try new things, to expand myself as a human being, the horizon became wider. Slowly what I started to understand was that there was so much I didn’t know about the world, about myself, that there was no way I can chose one single path with any certainty.

In an interesting twist, it suddenly dawned on me that I might not be any closer of finding out where I wanted to go, what I wanted to do, or even who I wanted to be… but I sure was more certain about what I didn’t want to do, who I didn’t want to be with and whom I didn’t want to be.

At first glance, it might seem disappointing, those certainties may feel useless or limited, but they’re the exact opposite. Knowing what you do not want allows you to be open for a wider range of opportunities while still remaining true to yourself. The problem with knowing for sure what you want is that you become narrow minded, you make choices based on who you were in the past while you may in fact have evolved into someone else. Being sure of what you want, in a way, can bind you to strict goals, can limit your progress so, what I’ve been finding out is that knowing what I do not want may be a good place to start. It helps me to have an idea of what I might want, with the flexibility of knowing that can change.

In this process I’ve rediscovered my core values, those that throughout the years have not changed, those I believe it’s important to hold on to. I’ve also learned that instead of fighting the parts of me that frustrate me, or in the other extreme settle based on my limitations, I can work on them, at my on pace, at my own will.


So, what exactly do I now know I don’t want?

I know I don’t want to walk around angry, not to myself, nor with the ones around me. It takes me an extraordinary load of energy just to cope with life in a regular bases, doing it angry, makes everything 100x harder;

I know I don’t want to be in the center of conflict, but I don’t to be a doormat or Switzerland either. I know who I am and what I stand for, there are certain matters I can’t (nor do I want to) be neutral, but I must learn to pick my battles;

I know I don’t want to be the dark cloud in a room. There’s so much in this world that is wrong and messed up, it’s so instinctively to clap back and criticize and state the obvious, but I want to learn to take the higher road while still protecting my sanity. I want to learn to see things from different perspectives, I want to try and fix things, if possible, but I also want learn to move on.

I know I don’t want to be surrounded by toxic people, people who drain my energy or refuse to get out of vicious circles. Therefore, I’m looking to surround myself with people you are conscious, but also kind and positive, smart and inspiring, people who bring out the best of me, but also give their best to the world.

I know I don’t want negative experiences to be in vain, but I also don’t want them to define me. Challenging situations (or people) have the power to shape us, but it doesn’t have to be in a negative form. Each interaction we have (good or bad) brings out new sides of us and that can be an interesting way of expanding myself as a person.

I know I don’t want to ever stop learning and I don’t ever want to feel that I’m wiser or better just because I’m older than someone else. Tranquility and wisdom may come with age, but it doesn’t happen automatically, you have to work on it, you have to take the time, to prioritize, to be willing.

I know I don’t want to lose my humanity or stop seeing people as human beings. I don’t ever want to intentionally hurt others or be the cause of any pain. Though I know inadvertently that will for sure at some point happen, I hope to always be mindful of the impact my words and actions have on others.

I know I don’t want to become self-absorbed. I don’t want to forget to check on my friends, to celebrate other people’s successes and joys, to focus on the little pleasures of life.

 

Even though I was always an old soul, I did go through a twisted Peter Pan syndrome phase back in my teenage years, where I didn’t refuse the responsibilities or commitments that came with growing older, but I certainly didn’t welcome them either. Interestingly enough, the older I get the less that seems to weight on me. Maybe it’s because the more I observe people, women in particular, the more I realize that the ones who are not afraid or ashamed of their age, who don’t try to deny it, but instead embrace it, are the ones who seem happier, freer and more fulfilled.

Embracing your age, just like embracing any other part of yourself, will make you feel more comfortable, and “once you’re comfortable with yourself you learn to be more at ease with others.” (Stana Katic)

 

 

Mais uma volta em torno do sol

 

Quando era miúda tinha muitas certezas sobre o futuro. Sabia exactamente onde queria estar em cada etapa da vida, o que queria fazer para todo o sempre, a pessoa que me queria tornar. Nesse tempo, a questão nunca era o quê, ou quando, ou onde, ou se… era apenas uma questão de como. Como vou chegar lá?

Mais tarde, quando fui atingida pela estalada fria da realidade, quando me estava a afunda em dúvidas e questões filosóficas, assumi que mais cedo ou mais tarde a idade me traria alguma clareza.

Tentei ser paciente (mesmo não sendo uma competência que abunda em mim), esperei desesperadamente, ano após ano, pelas respostas que tardavam em chegar, para as escolhas se tornarem mais fáceis, para a vida se tornar mais simples… Até que percebi que não só não estava mais perto de decifrar o meu futuro ou as pessoas à minha volta, nem sequer estava mais perto de me decifrar a mim mesma.

Se quando era pequena as coisas eram inequívocas, diretas e óbvias, porque também eu era rígida e dogmática, à medida que me fui forçando a aceitar as oportunidades, a tentar coisas novas, a sair da minha zona de conforto, os horizontes tornaram-se mais amplos. Lentamente comecei a perceber que havia tanto que eu desconhecia sobre o mundo, sobre mim mesma, que era impossível escolher, com certezas absolutas, um só caminho.

Numa reviravolta interessante, dei-me conta que talvez não estivesse mais perto de saber onde queria ir, o que queria fazer, ou sequer quem queria ser… mas estava certamente mais certa daquilo que NÃO queria fazer, com quem NÃO queria estar, e quem NÃO queria ser.

À primeira vista pode parecer uma desilusão, essas certezas parecem inúteis e limitadas, mas são exatamente o oposto. Saber o que não queremos permite-nos estar abertos a mais oportunidades sem, no entanto, nos perdemos de quem somos. O problema em ter certezas absolutas do que se quer é que vamos ficando com visão em túnel, fazemos escolhas com base em que éramos no passado, quando na verdade se calhar até já evoluímos. Ter a certeza do que queremos pode, de certa forma, limitar-nos a objetivos inflexíveis, pode limitar o nosso progresso, e por isso tenho percebido que, saber o que não quero pode ser um bom sítio para começar. Isso ajuda-me a saber para onde quero ir, com a flexibilidade de saber que posso mudar de rumo a qualquer momento.

Neste processo redescobri os meus verdadeiros valores, aqueles que durante os anos não se alteraram, aqueles que não quero perder. Também aprendi que em vez de lutar contra as partes de mim que me deixam frustrada, ou por outro lado acomodar-me a elas, posso trabalhar para as ultrapassar, ao meu ritmo, de acordo com a minha vontade.


Sendo assim, o que é que especificamente eu agora sei que não quero?

Sei que não quero passar a vida zangada, com o mundo, com os outros ou comigo mesma. Viver a vida já exige de mim uma quantidade tremenda de energia, fazê-lo zangada dificulta tudo 100 vezes mais;

Sei que não quero estar no centro de conflitos, mas também não quero que abusem de mim, nem tão pouco quero ser a Suíça. Sei quem sou e o que defendo, há certos assuntos em que não posso (nem quero) ser neutra, mas há que escolher as batalhas;

Sei que não quero ser a nuvem negra da sala. Há tanto de errado neste mundo e, instintivamente temos tendência a responder, a criticar, a dizer o óbvio, mas quero aprender a estar acima disso, ao mesmo tempo que protejo a minha sanidade mental. Quero aprender a ver as coisas de diferentes pontos de vista, quero tentar fazer parte da solução e não do problema e, caso não seja possível, ser capaz de seguir em frente sem mágoas.

Sei que não quero estar rodeada de pessoas tóxicas, pessoas que exaustam a minha energia, que se recusam a sair de ciclos viciosos. Quero tentar rodear-me de pessoas conscientes, mas também empáticas e positivas, inteligentes e inspiradoras, pessoas que atraem o melhor de mim, e que dão o melhor de si ao mundo.

Sei que não quero que experiências negativas sejam em vão, mas também não quero que me definam. Situações (e pessoas) difíceis têm o poder de nos moldar, mas não tem de ser necessariamente de forma negativa. Cada interação (boa ou má) revela uma nova parte de nós, e isso pode ser uma forma interessante de me expandir enquanto pessoa.

Sei que não quero nunca parar de aprender, que não quero nunca assumir que sou mais sábia ou melhor que ninguém só porque sou mais velha. A tranquilidade e a sabedoria podem eventualmente desenvolver-se com a idade, mas isso não acontece de forma automática, temos de trabalhar nesse sentido, temos de querer evoluir, temos de priorizar, temos de ter vontade.

Sei que não quero nunca perder a minha humanidade ou deixar de ver as pessoas como seres humanos. Sei que não quero nunca magoar alguém de forma intencional, ou ser causadora de dores alheias. Sei que, inadvertidamente, isso vai acontecer, mas espero estar sempre consciente do impacto das minhas palavras e ações nos outros.

Sei que não me quero tornar egoísta. Não me quero esquecer de acompanhar os meus amigos, de celebrar os sucessos e alegrias dos outros, de me focar nos pequenos prazeres da vida.

 

Sempre tive uma alma velha, mas ainda assim, passei por uma versão destorcida de síndrome de Peter Pan na minha adolescência. Não que rejeitasse responsabilidades ou compromissos, mas era com ansiedade que os recebia. Curiosamente, há medida que vou envelhecendo tudo isso parece pesar um pouco menos. Talvez porque quanto mais observo as pessoas, mulheres em particular, mais percebo que aquelas que não receiam ou se envergonham da sua idade, que não tentam nega-la, são as que parecem mais felizes, livres e realizadas.

Aceitar a nossa idade, tal como aceitar qualquer outra parte de nós mesmos, torna-nos mais confortáveis na nossa própria pele, e “quando estás mais confortável contigo mesmo, aprendes a estar mais confortável com os outros.” (Stana Katic)

Tuesday, September 29, 2020

Communication / Comunicação

 Nota: Versão portuguesa mais abaixo.


I’ve always been intrigued by the concept of communication. Words in general have always interested me, but the art of the spoken word in particular fascinates me.


It’s curious how, for better or worse, what tends to remain with us are words someone has said to us in a brief moment, even more than words someone might have written for us, that we could read and re-read over and over again.


At first glance communication looks innate. Perhaps not innate, but certainly something we master quite early, after all, communication is one of the first things we learn in life. The funny thing is just because, as we grow older, we learn more words (sometimes even more languages), that doesn’t necessarily mean we learn to communicate better. The reality is that as we grow older it becomes harder to know what to say, how and when to say it. We have more tools, and yet it feels harder to express what we feel, what we need, what we meant.


As we go through life, we start build these walls around us, we start to become more defensive more constricted. It becomes harder to listen, truly listen, without judgment or preconceptions. In fact, one of the common obstacles to communication is that often we don’t listen to understand, we listen to reply, to react, to defend.


The tricky thing about communication is that it is not just about people understanding what you say, it’s about them understanding what you mean. Words are important, there’s no way around that, but truth of the matter is, often the biggest part of the message is not in the words you say, but in what is left unsaid. In a conversation, silence and tone, are just as telling as the words themselves.


Communication is power, it changes our relationship with the world, and it changes the way the world interacts with us. It baffles me how bad we are at communicating, considering how present communication is in our everyday life.


They say the more you understand yourself, the easiest it becomes to communicate with others. That makes sense because the way we understand others is strongly influenced by our own story, our own insecurities, our own fears and expectations. And perhaps the reason why it is so hard to communicate effectively is that in order to do so we must realize (and truly accept) that we are all different in the way we perceive others and the world.


There are techniques to help improve communication skills, but the reality is that there’re no magic roadmaps, because communication is a two-player game, and no matter how hard you work on it, you cannot control the way in which the other person receives the message. All you can do is try to express yourself clearly, speak from the heart and try to be coherent, but other than that… what happens between the moment the words leave your lips and reach someone’s ears, is out of your control.


I’ve always admired people who are good at communicating, people who speak freely, who are able to get their message across easily, without overexplaining or overthinking. For me the biggest challenge about verbal communication has always been the fact that there aren’t do overs – once you’ve said something it’s out there, you can regret it, you can apologize, but you can’t take it back – which is why I rather write. Writing may seem like a more definitive form of communication, but it’s only because the consequences of the spoken word are often undervalued.

 

Comunicação

 

O conceito de comunicação foi uma coisa que sempre me intrigou. Sempre me interessei por palavras, no geral, mas a arte do discurso falado, em particular, sempre me fascinou.


É curioso como, para o melhor e para o pior, as palavras ditas parecem ficar na nossa memória mais até do que qualquer declaração que nos seja escrita e que podemos ler e reler vezes sem conta.


À primeira vista a comunicação parece algo inato. Talvez não exatamente inato, mas algo que que aprendemos a dominar cedo, afinal de contas, a comunicação é uma das primeiras coisas que aprendemos na vida. O curioso é que só porque, à medida que vamos crescendo, aprendemos novas palavras (às vezes até novas línguas), isso não quer necessariamente dizer que aprendemos a comunicar melhor. A verdade é que à medida que crescemos se torna mais difícil saber o que queremos dizer, como e quando fazê-lo. Temos mais ferramentas, e ainda assim parece mais difícil expressar o que sentimos, o que precisamos, o que queremos dizer.


Ao longo da vida, começamos a construir muros, tornamo-nos mais defensivos, mas limitados pelas nossas próprias perceções. Torna-se mais difícil ouvir sem fazer julgamentos, sem preconceitos. Aliás, um dos maiores obstáculos à comunicação é que a maioria das vezes não ouvimos para entender, ouvimos para responder, para reagir, para defender.


O desafiante na comunicação é que não se trata apenas das pessoas perceberem o que dizemos, mas sim de entenderem a mensagem. As palavras são importantes, não há como negá-lo, mas a verdade é que muitas vezes o mais importante não está nas palavras que dizemos, mas naquelas que ficam por dizer. Numa conversa, o silêncio, o tom, são tão importantes como as próprias palavras.


Comunicação é poder. A capacidade de comunicar muda a nossa relação com o mundo e muda a forma como o mundo interage connosco. Surpreende-me como somos tão maus a comunicar, tendo em conta a presença constante da comunicação nas nossas vidas.


Dizem que quanto mais nos conhecemos a nós mesmos, mais fácil se torna comunicar com os outros. Faz sentido porque a forma como entendemos o outro é fortemente influenciada pela nossa história, pelas nossas inseguranças, pelos nossos medos e expectativas. Talvez a razão pela qual é tão difícil comunicar de forma efetiva é que para fazê-lo precisamos de perceber (e aceitar) que percepcionamos todos o mundo de formas muito diferentes.


É possível aprender e desenvolver competências na área da comunicação, mas a verdade é que não há receitas mágicas, porque a comunicação é um jogo que implica dois jogadores, e por mais competências que tenhamos, não podemos nunca controlar a forma como o outro recebe a mensagem. Tudo o que podemos fazer é tentar expressarmo-nos de forma clara, ser sinceros e coerentes, mas mais que isso… o que acontece entre o momento em que as palavras deixam os nossos lábios e chegam aos ouvidos do outro, está fora do nosso controlo.


Sempre admirei bons comunicadores. Pessoas que são articuladas, que falam livremente, que são capazes de partilhar a sua mensagem sem demasiadas explicações ou hesitações. Para mim, o maior desafio da comunicação verbal é o facto de não haver repetições – quando algo é dito, está dito, podemo-nos arrepender, podemos pedir desculpa, mas não podemos apagar as palavras. É por isso que prefiro escrever! A escrita pode parecer uma forma mais definitiva de comunicação, mas é só porque as consequências da palavra dita são quase sempre desvalorizadas.

Sunday, September 27, 2020

Yes or No? / Sim ou Não?

 Nota: Versão portuguesa mais abaixo.


You’d be surprised if I tell you, that 90% of the time people ask me a question my instinct is to say “no”, because if you know me for a while, the chances are you mostly hear me say “yes”. In my brain my default mode may be set to “no”, but when pressured by someone, my mouth seems only able to utter “yes”.


I’ve lost count the amount of times I agreed to do something, only to regret it, the moment the word “yes” left my mouth. I lost track the amount of times I said “yes” and then was overwhelmed with anxiety. Sometimes as soon as it happens, I wonder, why on earth did I agree to that? Why is it so hard to say “no” to people? And is it really something worth learning?


There’re quite a few issues with not being able to say “no” to people, the first and most obvious one is, you will likely, over and over again, find yourself in situations that you strongly dislike or that make you extremely uncomfortable. The second one is that, by being unable to set boundaries, you risk exhausting yourself and resenting people who are completely unaware of the negative effect they are having on you. Third, not saying “no” and forcing yourself in situations that do not interest you, may prevent you to find your real path.


People who can’t say “no” tend to be labeled as “people pleasers”, but are others really the ones they want to please/impress or are they just trying to impress themselves?


I find that often, people who can’t say “no”, are trying to reach unattainable standards, not necessarily because they want to be perceived in a positive light by others, but because they must live up to their own expectations. People who can’t say “no” don’t want to be rude, or unkind, or selfish or worse… hurtful. They have this (unrealistic) urge to make sure they will not let anyone down, that they will not leave any wishes unattended, that they will not let anyone ever feel that they’re alone.


But who can live up to these promises? The problem is that until you learn to say “no” to others, you won’t be able to say “yes” to yourself. And what kind of miserable person do you become if you attend only to others’ needs and never look at your own?


The other problem, I’ve realized, that can contribute to this inability to say “no” is if your baseline is messed up.


Take me, for example, my whole life I’ve been pushing myself to do things that terrify me. I’ve been forcing myself to say “yes”, when I’m so scared, I just want to say “no”, and thought that has brough me a huge deal of anxiety, it has also led me to the most extraordinary life experiences. For that reason, early on, I learned to ignore the voice in my head that instinctively says “no”, and turn it into a “yes”. Doing so has worked for me in so many ways, that saying the opposite that my brain is telling me became a habit. In a twisted way, that became my baseline.


So where does that leave us? Should we indeed learn to say “no”, or should we instead learn to say “yes” more often?


What if I tell you we should do both?


I’ve been thinking about it for a while, and what I realized is that even though they may seem like opposite thoughts – saying that you should learn to say “no” more often, and that you should learn to say “yes” more often – they are actually not as conflicting as we may think.


The fact is that we need both concepts in our life, one is not better than the other, it just depends on how we use them.


So, for me, I realized I may need to learn to say “no” to people, but at the same time I want to learn to say “yes” to opportunity. Meaning it’s okay to say “no” to other people if it’s not right for you, and you should not feel guilty about it, but it’s also positive to say “yes” and challenge yourself when something good comes your way, even if it feels a bit scary.


The truth is that, in the right circumstances and in the right amounts, it’s important to learn to say “no”, but it’s empowering to learn to say “yes”.

  

Sim ou Não?

 

Seria uma surpresa se vos dissesse que 90% das vezes que alguém me faz uma pergunta o meu instinto é responder “não”, porque o mais provável é que a maior parte do tempo me oiçam a dizer “sim”. No meu cérebro o meu modo automático pode estar ligado para o “não”, mas quando pressionada com uma pergunta, a minha boca parece só conseguir dizer “sim”.


Já perdi a conta ao número de vezes que disse “sim”, e me arrependi no momento que a palavra saiu da minha boca. Nem sei quantas vezes disse que “sim” e imediatamente fui inundada por uma onda de ansiedade. Às vezes, ainda mal acabei de responder e já estou a pensar porque raio disse que sim? Porque é que é tão difícil dizer que “não” às pessoas? Será que vale realmente a pena aprender a fazê-lo?


Há vários problemas em ser incapaz de dizer que “não”. O primeiro, e mais óbvio, é que provavelmente vamos dar por nós vezes sem conta em situações que desgostamos ou que nos deixam extremamente desconfortáveis. A segunda é que, esta incapacidade de estabelecer limites, pode levar à exaustão e ao ressentimento com pessoas que nem desconfiam estar a contribuir para o nosso mau estar. Terceiro, ser incapaz de dizer “não” e forçar a nossa presença em situações que não nos interessa pode impedir-nos que descobrir o nosso verdadeiro caminho.


As pessoas que não dizem “não” tendem a ser percecionadas como alguém que só quer agradar os outros, mas será que é realmente os outros que querem agradar? Ou será que o que querem mesmo é impressionar-se a si mesmos?


O que me apercebo é que muitas vezes as pessoas que não dizem “não”, estão a tentar atingir padrões inalcançáveis, não necessariamente para serem vistas de forma positiva pelos outros, mas para tentar ir de encontro às expectativas irrealistas que criaram para si próprias. As pessoas que não conseguem dizer que “não”, não querem ser rudes, ou cruéis, ou egoístas ou pior… magoar os outros.  Têm um impulso (irrealista) de não querer desiludir ninguém, de não querer que fiquem desejos por satisfazer, de não querer permitir que alguém se sinta sozinho.


Mas quem é que consegue viver de acordo com esses padrões? O problema em não dizer “não” aos outros, é que nos impede de dizer “sim” a nós mesmos. E que pessoa miserável nos vamos tornar se só olharmos às necessidades dos outros e ignorarmos as nossas?


Outro problema que percebi poder contribuir para esta incapacidade de dizer que “não” é se a nossa linha-padrão estiver descalibrada.


Por exemplo, eu passei a minha vida a obrigar-me a fazer coisas que me aterrorizavam. A forçar-me a dizer que “sim” quando tinha tando medo que só queria dizer “não”, e apesar de isso me ter sujeitado a uma quantidade enorme de ansiedade, a verdade é que também me levou a experiências de vida extraordinárias. Por isso, muito cedo aprendi a ignorar a voz interior que queria sempre dizer “não”, e a convertê-la num “sim”. E fazê-lo, em determinadas situações resultou tão bem, que fazer o contrário do que o meu cérebro me dizia se tornou um hábito. De certa forma, isso tornou-se a minha linha-padrão.


Mas onde é que isso nos deixa? Afinal devemos aprender a dizer que “não” ou aprender a dizer que “sim”?


E se vos dissesse que devemos aprender a fazer ambos?


Tenho pensado muito sobre isto nos últimos tempos, e a conclusão a que cheguei é que apesar de parecerem ideias opostas – dizer que devemos aprender a dizer “não”, e dizer que devemos aprender a dizer “sim” – na verdade não são conceitos assim tão incompatíveis como isso.


A verdade é que precisamos de ambos os conceitos na nossa vida, um não é melhor ou mais importante que o outro, tudo depende de como os utilizamos.


Pessoalmente, o que percebi foi que preciso de aprender a dizer “não” às pessoas, mas ao mesmo tempo quero continuar a aprender a dizer que “sim” às oportunidades. Ou seja, quero ser capaz de dizer “não” aos outros se a situação não se adequar a mim sem me sentir culpada, mas também considero positivo dizer que “sim” e desafiar-me quando algo de bom surge no meu caminho, ainda que isso me assuste.


A verdade é que, nas circunstâncias e doses certas, o “não” é importante, mas o “sim” é poderoso.  

Friday, September 25, 2020

September 25th: World Dream Day / 21 Setembro: Dia Mundial do Sonho

 Note:~Versão portuguesa abaixo. 


They say that everybody dreams, and as little humans we all do, but overtime I have a feeling that some lose the ability to do it. They probably still do it in the scientific sense of the word, as they sleep, when they have no control over it, but do they dare dreaming about the future?


Dreams have always been a pillar in my life. It was in dreams, that I used the secret door in my closet to travel all the way to China when I was 6, it was in dreams that I pretended to be brave enough to safe the world, it was in dreams that I’ve learn to face demons and scary monsters, it was in dreams I imagined my bright, successful future, it was in dreams that I found comfort in my darkest hours, it was in dreams I allowed myself to be loved, it was in dreams that I’ve learned to cope with… life.


In fact, it is still through dreams that I process a lot of information, a lot of growth.


Dreams can be fascinating, they can be thrilling and scary… or just plain weird. Because I had night terrors, very early in life, I learned how to control my dreams. Curiously enough, despite this skill, my dreams were never fairytales or walks in the park, there was always something tragic about them, there was joy, but never without a tumultuous journey too.


Dreams can be dangerous too. Despite the dark nature of my dreams, that was a world I could control, a place I could write and rewrite the script many times, and because of that it felt safe. Dreams are simply story we tell ourselves, but they can be a powerful tool. Dreams help visualization, they feed our imagination, they warm our soul. You can get lost in this storytelling though. At one point I realized I might be falling too deep. I was so lost into that world that sometimes I had trouble separating it from reality. Eventually I’ve found balance, a way to keep enough distance, to allow myself the best of both worlds.


There’re all sorts of dreams. There are the unconscious ones and the ones you have while wide awake. There are “platonic” dreams, ideal but unreal, dreams you admire from a fair, because you know are too perfect to be viable. And dreams that push you forward.


In a more metaphorical sense, a dream is something you believe in, something that inspires you, something you long to achieve. Dreams are endless, one leads to another, I don’t think there’s ever a moment in life one goes “I’m all out of dreams”, because dreams often lead us to unexpected ways.


Dreams have indeed a huge role in my life, and over the years, they’ve become so polished and high standard, that I often wondered if they’d become a curse.


As a young girl, I had beautiful dreams about the future and the life I would live, and I can tell you that… very little has come true! And yet, there’s not much to be disappointed about.


Dreams lead to new dreams. They also lead to new experiences, new people, new ambition, new skills. Dreams can open wide new paths right in front of you, they may make you crave things you never even knew you liked, they may lead to people you never even knew you needed.


Dreamland is a wonderful paradise, one that can only be improved when shared with people as passionate and crazy and sensible as us.


Dreaming on your own can be lonely. I once read that dreaming awake is a very difficult load to carry, and I totally agree. But dreams are not a waste of time, so when my strength falters and my certainty’s fading, I remember something I’d use to repeat my young, scary, lonely, misunderstood self, over and over again “Dream… Always! That’s the only thing they can never take away from you”.


World Dream Day was established in 2012 by Ozioma Egwuonwu for the purpose of encouraging individuals, communities, businesses, schools, and families to take some time to concentrate on their dreams and make an effort to turn them into a reality.


 

Dia Mundial do Sonho

 

Dizem que toda a gente sonha, e em pequenos acredito que sim, mas com o tempo acredito que alguns de nós percam essa capacidade. Provavelmente continuam a sonhar, no sentido científico da palavra, inconscientemente, enquanto dormem, mas será que se atrevem a sonhar com o futuro?


Os sonhos sempre foram um dos pilares da minha vida. Foi em sonhos que, com apenas 6 anos, viajei até à China através da porta mágica que existia no meu roupeiro, foi em sonhos que fingi ter a coragem para salvar o mundo, foi em sonhos que aprendi a enfrentar monstros e demónios, foi em sonhos que imaginei um futuro brilhante e colorido, foi em sonhos que encontrei conforto nos momentos mais difíceis, foi em sonhos que me deixei ser amada, foi em sonhos que aprendi a lidar com… a vida.


Na verdade, ainda hoje, é através dos sonhos que processo muita informação, que concretizo muito do meu crescimento.


Os sonhos podem ser fascinantes, podem ser emocionantes ou assustadores… ou simplesmente estranhos. Por sofrer de terrores noturnos, aprendi a controlar os meus sonhos desde muito cedo. Curiosamente, apesar dessa habilidade, os meus sonhos nunca eram contos de fadas ou passeios no parque, apesar dos momentos esporádicos de alegria, eram sempre fortemente carregados com uma dose de tragédia.


Os sonhos também podem ser perigosos. Apesar da natureza dramática dos meus sonhos, era um mundo que eu controlava, um espaço em que podia escrever e reescrever o guião quantas vezes quisesse, e por isso eram um porto seguro. Havia por isso o risco de me perder neles. Houve momentos em que senti que estava demasiado embrenhada nessa realidade alternativa, mas acabei por encontrar um equilíbrio que me permite ter o melhor dos dois mundos.


Os sonhos são simples histórias que contamos a nós mesmos, mas também podem ser ferramentas poderosas. Os sonhos ajudam-nos a visualizar, alimentam a nossa imaginação, aquecem-nos a alma. Há muitos tipos de sonhos, os inconscientes e os que temos durante o dia. Há os sonhos “platónicos”, ideais, mas irrealistas, aqueles que admiramos de longe, mas sabemos que são demasiado perfeitos para ser verdade, e os sonhos que nos desafiam a ir mais longe.


Num sentido mais metafórico, um sonho é algo em que acreditamos, algo que nos inspira, algo que queremos atingir. Os sonhos são infindáveis, um sonho leva a outro, não sei se é possível chegar a um momento da vida e pensar “já não tenho mais sonhos”, porque os sonhos levam-nos por caminhos inesperados.


Os sonhos têm realmente um papel importante na minha vida, e ao longo dos anos, tornaram-se versões tão idealizadas que muitas vezes temi que se tornassem numa maldição.


Quando era miúda, sonhava com o meu futuro, com a vida que iria ter e posso dizer que… muito pouco se concretizou! E ainda assim, não há arrependimentos.


Sonhos levam-nos a novos sonhos. Também nos levam a novas experiências, novas pessoas, novas ambições, novas competências. Os sonhos desbravam caminhos à nossa frente, fazem-nos desejar coisas que nem sabíamos gostar, encaminham-nos para pessoas que nem sabíamos precisar.


A terra dos sonhos é um paraíso fantástico, um que só pode ser melhorado quando partilhado com pessoas tão motivadas, malucas e sensíveis como nós.


Sonhar sozinho pode ser solitário. Uma vez li que sonhar acordado é uma bagagem muito difícil de carregar, e concordo completamente. Mas os sonhos não são um desperdício de tempo, por isso, quando as forças me falham e as certezas estremecem lembro-me de algo que costumava repetir à miúda assustada, solitária e incompreendida que era há uns anos - “Sonha… sempre! É a única coisa que nunca te podem tirar”.


O Dia Mundial do Sono foi criado em 2012 por Ozioma Egwuonwu com o objetivo de encorajar indivíduos, comunidades, negócios, escolas e famílias, a tirar tempo para se concentrarem nos seus sonhos e fazerem um esforço para os tornar realidade.

Monday, September 21, 2020

September 21st: World Gratitude Day / 21 de Setembro: Dia Mundial da Gratitude

 Note: Portuguese version below.


Growing I was always terrified of being ungrateful. I always knew I had it easier than a lot other people, but there were periods in my life I did struggle to focus on the good things.


I’m always trying to be 10 steps ahead, I’m always waiting for the other shoe to drop, I’m always trying to be perfect, to have everything under control, to reach higher and further, and along the way that perfectionism starts to cloud your judgment.


I always valued the good experiences in my life, the people that in the most unpredictable ways found their way into my life, and my heart, but I didn’t always handle it so gracefully went things came to an end before I was ready for it.


If people would leave my life before I was ready, I’d get angry, hurt, confused, I’d blame myself, and in what I thought was a self-preservation move, I’d try to diminish what I’d once felt for them, what they’d once meant to me.


I acted similar when it came to life experiences, I’d either get too attached to the past, unable to move on because I was constantly comparing what was new with what I had before, never really allowing myself to be fully open to a new start, or, once again, I’d diminish it’s importance so I could free myself from it.


It was only with time, that I slowly learned we can (and should) be grateful for something that we had, be extremely proud and fond of what happened and still move on to new and better experiences. It was only later in life that I realised that even the rough moments had led me to new learning, even if people might have left me or even disappoint me, I could still appreciate what we had lived together, I could still learn from those experiences. And not the way that a lot of people do, in the “I gave that person a chance and they let me down, so I’ve learned my lesson, and I will be more guarded from now on” way, because I don’t want to harden myself, I don’t want to walk around angry.


With time, I understood that even for myself preservation, it is much better to focus on the good, because when we do focus on it, there really is so much to be grateful for.


This year has been a weird one to say the least. It has been tough to lots of people, and obviously we all want things to back to “normal” as soon as possible, but personally it hasn’t been a wasted year. Month after month I have been able to see how much I have to be grateful for.


I’m grateful to have family and friends who despite physical distance make their presence felt. I’m grateful to have friends whose embrace is so warm and kind that social distancing from them is really hard. I’m grateful I’ve had some time to rest my mind, try new hobbies and shift some important mindsets. I’m grateful I found some truly inspirational people during this time, people who motivate me to be better, try harder and even, as hard as it is, believe in myself. I’m grateful to be starting a new job, with all of the challenges that that brings, to have a team who supports me and has so much to teach me. And last, but not least, I’m grateful that throughout this mess, I’ve not only been able to keep my mental sanity, but even I dare say it, improve it!

 

 

21 de Setembro: Dia Mundial da Gratitude

 

Sempre tive um medo tremendo de ser ingrata. Sempre tive noção que, comparativamente com muitas pessoas, levava uma vida livre de grandes preocupações, mas houve períodos que tive dificuldade em me focar nas coisas boas da vida.


Tento sempre estar 10 passos mais à frente, estou sempre à espera que algo de mau aconteça, estou sempre a tentar ser perfeita, ter tudo sob controlo, chegar mais alto e mais longe, e ao longo do tempo esse perfecionismo acaba por toldar o nosso julgamento.


Sempre valorizei as boas experiências que tive na vida, as pessoas que das formas mais improváveis foram surgindo na minha vida e no meu coração, mas nem sempre fui tão graciosa quando as coisas terminavam antes de eu estar preparada para isso.


Quando as pessoas desapareciam da minha vida (por uma razão ou por outra), ficava magoada, zangada, confusa, culpava-me, e no que eu achava ser uma ação de autopreservação, tentava diminuir o que tinha sentido por elas, o que tinham significado para mim.


Fazia o mesmo com as experiências de vida. Ou ficava demasiado agarrada ao passado, incapaz de seguir em frente porque estava constantemente a estabelecer comparações, nunca me permitindo estar realmente disponível para um novo começo, ou, mais uma vez tentava reduzir a sua importância, para me conseguir ver livre desse peso.


Foi só com o tempo que aos poucos fui aprendendo que podemos (e devemos) ser gratos pelas coisas que tivemos, ter um orgulho e um carinho desmedido por tudo o que vivemos, e ainda assim seguir em frente para novas e melhores experiências. Só mais tarde percebi que mesmo os momentos difíceis me levaram a novas aprendizagens, que só porque alguém me deixou ou até me desiludiu, isso não quer dizer que não possa dar valor ao que vivemos, aprender com isso. E não no sentido que muitas vezes as pessoas fazem, não no sentido de “dei uma oportunidade àquela pessoa e ela desiludiu-me, por isso aprendi a minha lição, e nunca mais vou dar oportunidades a ninguém”, porque não me quero endurecer, não quero andar neste mundo zangada.


Com o tempo percebi que até para a minha autopreservação é muito melhor focar-me no positivo, e a verdade é que quando o fazemos, há realmente tanto para estarmos gratos.


Este ano tem sido estranho (sim, é um eufemismo). Tem sido difícil para muitas pessoas, e obviamente queremos todos que isto passe depressa, mas pessoalmente não tem sido um ano desperdiçado. Mês após mês tenho feito essa reflexão e percebido o quanto tenho para estar grata.


Sou grata por ter família e amigos que apesar da distância física fazem sentir a sua presença. Grata por ter amigos cujo o abraço é tão quente e reconfortante que torna manter a distância social um verdadeiro desafio. Grata por ter tido tempo para descansar e reorganizar a minha mente, tentar novos hobbies e mudar alguns pontos estratégicos da minha mentalidade. Estou grata por ter encontrado, durante este período, pessoas verdadeiramente inspiradoras, que me motivam a ser melhor, a esforçar-me mais, a ser mais forte e até, por incrível que pareça, a acreditar em mim mesma. Estou grata por estar a começar um trabalho novo, com todos os desafios que isso implica, e por ter uma equipa que me apoia e que tem tanto para me ensinar. E por fim, mas não menos importante, estou grata por, nestes tempos atribulados, não só ter conseguido manter a minha sanidade mental, mas até, atrevo-me a dizê-lo, melhorá-la!